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Orem e Lutem (Vergniaud)

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"O naufrágio", J. M. William Turner (1805). N o céu nenhuma estrela!... As ondas furiosas se quebram, franjando de espuma as pontas dos rochedos! Os ventos desencadeados e a tempestade que urra abafam os gritos dos náufragos e os apelos apressados do canhão da angústia!... De um lado, a rocha que esmaga, do outro, o abismo que devora!...   Alguns homens corajosos, colocados na mastreação, percebem ao longe uma pálida e trêmula luz! Seria o farol? Pobre navio, tantas vezes enganado na espera, não ousas dirigir-te até ele, e, entretanto, esse ponto luminoso te atrai como se fosse o termo de teus perigos!   Ó náufragos, qual seria dentre vós o insensato que nessa hora de tempestade não quereria curvar a fonte e orar? Não é ela toda-poderosa, essa humilde prece que sobe até o Criador e faz raiar sobre vós, nesse momento de dúvida tenebrosa, a inspiração que salvará a todos! Essa claridade interior vos mostrará vosso navio, ao invés de correr sobre escolhos, ir diretamen...

O sistema de Sírius segundo Emmanuel

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Representação do Cão Maior superimposta ao mapa Stellarium . Sírius é a estrela mais brilhante do céu. (...) Pouco depois, ei-la que aporta em portentosa esfera, inconfundível em magnificência e grandeza. O espetáculo maravilhoso de suas perspectivas excedia a tudo que pudesse caracterizar a beleza no sentido humano. A sagrada visão do conjunto permanecia muito além da famosa cidade dos santos, idealizada pelos pensadores do Cristianismo. Três sóis rutilantes despejavam no solo arminhoso oceanos de luz mirífica, em cambiâncias inéditas, como lampadários celestes acesos para edênico festim de gênios imortais. (...) Ao crepúsculo, quando se despediam no espaço os raios dos três sóis diferentes, em deslumbramento de cores, Alcione reuniu-se a numeroso grupo de amigos e orou com fervor, suplicando as bênçãos do Pai misericordioso. O firmamento enchia-se de claridades policrômicas e deslumbrantes. Satélites de prodigiosa beleza começavam a surgir na imensidade, envolvendo a paisagem ...

Comentários a uma tirinha sobre como é ser ateu.

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Premissa 1:  Há uma distinção entre a crença que se tem na maneira como o mundo é e aquilo que o mundo verdadeiramente é. Mas, em relação a quais temas de crença essa diferença é capaz de mais impactar a vida do indivíduo, observado certo intervalo de tempo? É perfeitamente possível ter uma crença sobre como o Universo é e existe, mas o Universo em si ser completamente diferente. Isso implica que, para a vida prática, manter crenças muito diferentes do 'real' com fatos da Natureza, por exemplo, têm pouco ou nenhuma influência sobre o bem-estar e a adaptabilidade do indivíduo que manifesta essa crença.  É por isso que é possível ser ateu e viver muito bem, ou acreditar que a terra é 'plana' sem que isso tenha qualquer efeito mais grave na vida do indivíduo que crê nisso. Premissa 2:  Em geral se assume que quanto mais próximo do 'real' estiver tudo aquilo que se crê, tanto mais certo estará a vida do indivíduo. Portanto, tanto mais preferíve...

O que a neurologia tem para ensinar aos médiuns? (Dr. Nubor Facure)

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Interessante texto do Dr. Nubor Facure, explorando algumas possíveis conexões entre a neurologia, o sentido da visão e uma aplicação avançada para a vidência mediúnica.  A visão O nosso olhar é uma das propriedades mais ativas do cérebro. Nós mobilizamos dois terços (ou quase 70%) do córtex cerebral quando estamos olhando para uma criança correndo. Existem 30 áreas cerebrais que estarão atuantes nessa visão trabalhando seus detalhes. Precisamos saber quem é, sua localização, com que velocidade se locomove, para onde se dirige, que roupa usa, suas cores, o risco que corre, o parentesco que tem conosco, se vem até nós para dizer alguma coisa e se precisamos abrir os braços para abraçá-la ou acudir em um perigo de queda. Nosso registro visual não é do tipo fotográfico, ele é interpretativo, constrói uma paisagem com aquilo que vê. O que vemos cria uma “representação” do que “pensamos” estar vendo. Disso decorre que, mais de noventa por cento dessa atividade se processa na ...

Os seres do invisível e as provas ainda recusadas pelos cientistas. (Paulo Neto)

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Paulo Neto acaba de lançar um novo livro que pode ser baixado gratuitamente: Os seres do invisível e as provas ainda recusadas pelos cientistas-ebook (1.66 MB) Trata-se de uma obra que apresenta diversas referências para os casos de mediunidade de efeitos físicos estudados pelo famoso cientista inglês William Crookes. Em um post anterior , tivemos a oportunidade de analisar uma tese recente em História da Ciência que analisa, de um ponto de vista acadêmico, a relação de Crookes com o espiritualismo.  Paulo Neto acrescenta outras evidências e relatos, colhidos de diversas fontes, que mostram a excelência das conclusões tiradas por Crookes sobre os casos de mediunidade que ele estudou. É possível que hoje as dificuldades que envolvem a replicação desse tipo de fenômeno - e que contribuem para sua raridade - dificultem a apreciação moderna e não histórica de sua ocorrência. Entretanto, não é possível, tão só pela análise das referências históricas, concluir que Crookes fo...

Espiritismo, ciência e materialismo

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The day science begins to study non-physical phenomena,  it will make more progress in one decade than  in all the previous centuries of its existence. (N. Tesla)  O Espiritismo, na forma com que foi codificado por Allan Kardec, apresenta uma grande quantidade de conhecimento e informações que apenas foram marginalmente compreendidos. Sua contraparte científica - sem querer apresentá-lo como uma disciplina, mas como uma visão de mundo - foi explicitada por Kardec em diversas passagens de sua obra. Com relação ao seu caráter progressivo, por exemplo, explica Kardec: "O Espiritismo, portanto, não estabelece como princípio absoluto senão o que é demonstrado com evidência, ou o que ressalta logicamente da observação. Abrangendo todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio de suas próprias descobertas, ele assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, sejam de que ordem forem, que tenham atingido o status de verdades práticas e que tenham saído d...

Victor Hugo sobre a morte (II)

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Imagem: túmulo no Cemitério de Bologna. Quando estiver no túmulo poderei dizer, como tantos outros:  ‘terminei minha jornada’ e não ‘terminei minha vida’.  Minha jornada recomeçará no outro dia, de manhã.  O túmulo não é um labirinto sem saída; é uma avenida,  que se fecha no crepúsculo e volta a se abrir na aurora. (Victor Hugo) O fragmento de texto que segue foi extraído da referência [1], conforme discurso proferido por Vitor Hugo (1802-1885) . Alguns comentários (conforme a numeração) são apresentados na sequência.   Q uem pode dizer-nos que eu não volte a encontrar-me nos séculos futuros? Shakespeare escreveu: «A vida é um conto de fada que se lê pela segunda vez». Poderia ter dito pela milésima vez. Porque não há século pelo qual eu não veja passar minha sombra (1). Vós não acreditais nas personalidades moventes, quer dizer, nas reencarnações (2), com o pretexto de que não recordais nada de vossas existências passadas, mas como ...