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Mostrando postagens com o rótulo ceticismo

Crenças Céticas XIX: casos modernos e seus paralelos

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Cristo carregando a cruz (detalhe). H. Bosch (~1500). A brimos um parêntese na nossa exposição aos espíritas sobre o problema da aceitação da existência dos espíritos. Lembramos nossos antigos posts sobre crenças céticas [1][2], considerando os debates populares em redes sociais sobre a 'Terra plana' e do 'geocentrismo'. Lembramos tudo isso, e não podemos deixar de fazer um paralelo com o problema da aceitação de alguns princípios espiritualistas. Jamais imaginaríamos que o ceticismo ingênuo poderia se revestir de aspectos tão dramáticos na atualidade. Se em pleno Séc. XXI temos gente que defende "Terra Plana", que esperança há na Humanidade em aceitar as realidades maiores do espírito?  Do ponto de vista espírita, penso que as manifestações aparentemente grandes dos crentes modernos em Terra Plana e no geocentrismo se explicam pelo retorno ainda tardio de milhões de Espíritos que não ti...

Crenças céticas XXVII: A Navalha de Ockham (e comentários sobre super-psi)

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N ão é comum, nos embates entre crentes e céticos, que conceitos ou princípios epistemológicos sejam aplicados indiscriminadamente, muitas vezes em apoio de argumentações mal feitas ou inválidas. Um desses princípios - de que se tem abusado bastante - é a famosa "Navalha de Occam" (ou Ockham, em inglês,  Occam's razor ). A apresentação feita na Wikipedia (1) é suficiente para introduzir o " princípio da parsimônia ", como também chamada essa regra, que pode ser usada erroneamente  em defesas pouco válidas de opinião. Há várias maneiras de se enunciar esse princípio: Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor (1) . Entidades não devem ser multiplicadas sem necessidade (2) . Não se deve admitir mais causas para as coisas naturais do que aquelas que são tanto verdadeiras como suficientes para explicar as aparências. Portanto, aos mesmos efeitos naturais devemos, tanto quanto possível, associar as me...

O conspiracionismo chega o movimento espírita: a escalada de grupos dogmáticos

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"...Conspiração de sociedades secretas que trabalham na sombra para aniquilar o Catolicismo, se elas pudessem; conspiração do Protestantismo que, por uma propaganda ativa, busca insinuar-se por toda parte; conspiração dos filósofos racionalistas e anticristãos, que rejeitam, sem razão e contra toda razão, o sobrenatural e a religião revelada, e que se esforçam por fazer prevalecer no mundo letrado sua falsa e funesta doutrina; conspiração das sociedades espíritas que, pela superstição prática da evocação dos Espíritos, entregam-se e incitam os outros a entregar-se à pérfida maldade do espírito de mentira e de erro..." (Discurso do Bispo de Langres, Haute-Marne, publicado na Revue Spirite , Junho de 1864. Leiam comentários de Kardec sobre o trecho). O movimento espiritualista de forma geral sempre teve que se defender de alguma forma de seus próprios "teóricos de conspiração". Críticos ferrenhos dos primeiros tempos, desde as irmãs Fox, acusavam de forma ...

XXVI - Pequeno manual de falácias não formais com exemplos do ceticismo (4)

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Quarta parte da série de posts sobre falácias, com exemplos tirados do ceticismo. Para o post anterior dessa série clique aqui. Será que cães andam de bicicleta? Um cético pode argumentar que essas imagens são de um embuste, onde um anão (ou uma criança) vestido de cachorro pretende convencer pessoas de boa fé de que cães podem andar de bicicleta. Os detalhes claramente indicam isso: o "cachorro" é grande, o que facilitaria a farsa, o cão tem pelos longos, o que tornaria a fantasia mais realista, o "cão" tem dificuldades em conduzir a bicicleta - seus olhos podem estar parcialmente encobertos dificultando o controle do veículo etc. Além disso, cachorros nunca foram vistos andando de bicicleta em circunstâncias insuspeitas. Para ele, a evidência é claramente uma fraude... Falácia do acidente ( Dicto Simpliciter ) e generalização apressada (acidente convertido). U m tipo muito comum de erro de argumentação ocorre quando evidências se aprese...

Crenças céticas XXV: comentários à argumentação cética de um grande estudo em NDE.

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A página Science Alert (1) postou um texto sobre um importante trabalho médico (realizado como escopo do projeto AWARE) sob a direção do Dr. Sam Parnia (2). Outro texto sobre esse trabalho de Parnia pode ser lido no blog "The Telegraph" (3) e aqui . O "The Telegraph" se abriu para opiniões de leitores. Essas opiniões se apresentam mais como um amontoado de reações inconformadas com o trabalho de Parnia et al. Elas vão desde argumentos "ad hominen" (ou seja, que colocam em dúvida a credibilidade científica de Parnia) até argumentos "bíblicos". A partir da publicação do artigo, os comentário claramente se dividem entre três grupos: Os que aceitam o trabalho e que acreditam na vida após a morte por diversas razões; Os que não aceitam o trabalho e o negam de diversas formas que pretendem ser "científicas" (materialistas, ateus e agnósticos); Os que não aceitam o trabalho porque ele contraria a bíblia. Raros comentários de...

Crenças Céticas XXIV - Pequeno manual de falácias não formais com exemplos do ceticismo (3)

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Fig. 1 "Médicos fumam o cigarro  Camels  mais do que qualquer outro". Terceira parte da série de posts sobre falácias de relevância, com exemplos tirados do ceticismo. Para o post anterior dessa série clique aqui . Falácia de relevância: Argumentum ad Autoritatem É importante dizer que o argumento da autoridade não constitui sempre uma falácia. A base do argumento é que determinada afirmação é verdadeira porque alguém, entendido no assunto, disse que assim é ou não é. O problema com esse tipo de argumento ocorre quando a autoridade não está absolutamente garantida ou quando ela é falsa . Portanto, a validade do argumento é uma probabilidade que vai a zero quando o argumento tem base em falsa autoridade. Em assuntos onde essa autoridade é aplicável, o argumento é válido sob determinadas condições. A Fig. 1 é um exemplo interessante e até cômico disso. Trata-se de uma propaganda antiga do cigarro Camel. A imagem é de um médico com um cigarro (justaposta a um...