
Inteligência é a capacidade de alcançar o mesmo objetivo usando meios diferentes.
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William James (1842-1910) pode ser invocado em uma definição operacional de inteligência que permite reconhecer essa propriedade mesmo em organismos unicelulares. |
Conhecimento sobre temas na fronteira entre Ciência e Espiritismo. Citações e uso do material deste blog são livres desde que a fonte original seja citada.
Inteligência é a capacidade de alcançar o mesmo objetivo usando meios diferentes.
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William James (1842-1910) pode ser invocado em uma definição operacional de inteligência que permite reconhecer essa propriedade mesmo em organismos unicelulares. |
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Segundo D. Baxendale, esta é Galba uma das últimas xamãs dos povos Tuvan que vivem próximos dos montes Altai na Mongólia. (foto: flickr.com) |
Pessoas de ambos os sexos que dominaram os espíritos, e que, à sua vontade, podem introduzir esses espíritos em si mesmos e usar o seu poder sobre os espíritos em seus próprios interesses, particularmente ajudando outros pessoas que sofrem com os espíritos. [1, p. 3]
Que coisa! Segundo essa definição original, aprendemos que o xamanismo opera provavelmente segundo os princípios da mediunidade. Pela definição operacional de A. Kardec (Cap. XV de "O Livro dos Médiuns") "todo aquele que sente em qualquer grau a presença dos espíritos é por isso mesmo médium".
Porém, o conceito evoluiu nos estudos antropológicos de forma a incorporar outras práticas que são consideradas vulgarmente "mágicas" na elasticidade semântica que esse adjetivo pode implicar. O autor de [1] apresenta uma definição sintetizada que agrega outras características do xamã:
Um xamã é uma pessoa que, à vontade, pode entrar em um estado psíquico incomum (na qual ele faz sua alma empreender uma jornada para o mundo espiritual ou ele se torna possuído por um espírito) para fazer contato com o mundo espiritual em nome dos membros de sua comunidade.
Essa definição inclui talvez a possibilidade de "desdobramento", quando a contraparte não corpórea do xamã pode se afastar do corpo físico e realizar determinadas tarefas em contato com o mundo espiritual. Nas descrições acadêmicas das atividades dos xamãs, porém, há uma confusão entre a noção de "influência dos espíritos" e a "possessão". Esses estados psicológicos tendem a ser sempre apresentados como equivalentes.
Em outra definição mais recente [2]:
O "xamanismo” foi recentemente descrito como uma forma de interação entre um praticante e espíritos, que não está disponível para outros membros de uma comunidade. O praticante (um “xamã”) atua em nome dessa comunidade – ou em nome de membros individuais dessa comunidade – para desempenhar uma variedade de papéis sociais que podem incluir curar, bem como prejudicar, afetando o resultado das atividades de subsistência, e assim por intervenção com espíritos ou através de conhecimentos adquiridos pela comunicação com espíritos.
Portanto, o xamanismo pode assim ser considerada uma manifestação do "mediunismo" (ou prática mediúnica) por meio da qual determinados favores, para o bem ou para o mal, são obtidos usando as capacidades do "xamã". Esse é um membro especial de uma sociedade como "guardião de poderes sobre os Espíritos" cujo papel deve ser destacado em todas as descrições do xamanismo.
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Ornamentos mexicanos. (Fonte: www.publicdomainpictures.net) |
R. Walsh em 1989 [3] considera que o xamanismo não pode ser definido em termos de categorias à posteriori, mas que deve ser tomado como um fenômeno único. Essa necessidade vem da homogeneidade das descrições de atuação dos xamãs diante das enormes diferenças de crenças e religiões associadas ao xamanismo:
É interessante notar que os elementos desta definição centram-se em práticas e experiências e não em crenças e dogmas. Isto é consistente com a afirmação de Michael Harner de que "o xamanismo é, em última análise, apenas um método, não uma religião com um conjunto fixo de dogmas. Portanto, as pessoas chegam a conclusões derivadas de sua própria experiência sobre o que está acontecendo no universo, e sobre que termo, se houver, é mais útil para descrever a realidade última".
Em suma: é mais uma prova de que se trata de um fenômeno mediúnico e generalizado na população mundial sem relação com suas religiões. Porém, essas religiões podem promover ou sufocar o xamanismo.
Em particular, a modernidade tende a eliminar essas práticas antigas por considerá-las frutos da superstição. Em seu lugar surgiu o "xamanismo moderno" que se insere por meio de vasta literatura de auto-ajuda recente que pretende despertar o "xamã interior" de cada indivíduo [4]. Esse novo xamanismo nada tem a ver com o original.
Por outro lado, a mediunidade continua a exercer sua influência de outras formas na sociedade moderna. Porém, isso é uma assunto para outro post.
Referências
[1] Reinhard, J. (1976). Shamanism and spirit possession: the definition problem. Spirit possession in the Nepal Himalayas, 12-20. Link de acesso aqui.
[2] Pollock, D. (2019). Shamanism. Oxford Bibliographies. DOI: 10.1093/OBO/9780199766567-0132
[3] Walsh, R. (1989). What is a shaman? Definition, origin and distribution. Journal of Transpersonal Psychology, 21(1), 1-11.
[4] Basta considerar apenas um exemplo (entre milhares nos últimos anos): Lobos, M. (2021). Awakening Your Inner Shaman: A Woman's Journey of Self-Discovery through the Medicine Wheel. Ed. Hay House Inc.
Será lícito calcular a população de criaturas desencarnadas em idade racional, nos círculos de trabalho, em torno da Terra, para mais de vinte bilhões, observando-se que alta percentagem ainda se encontra nos estágios primários da razão e sendo esse número passível de alterações constantes pelas correntes migratórias de espíritos em trânsito nas regiões do planeta.
O problema que surge é de como acomodar a ideia de "muitas vidas" em uma população mundial que apenas muito recentemente atingiu cifras acima de um bilhão de indivíduos. Na maior parte da história da Humanidade, a população do planeta não excedeu ao montante de indivíduos das nações mais populosas do Ocidente da ordem de vários milhões. Se todos os Espíritos sempre estiveram nas cercanias do orbe terreno, o mais provável é que eles experimentaram apenas uma encarnação no planeta Terra em toda a história da humanidade. E essa vida ocorre justamente no momento presente quando a Terra atingiu a maior população desde então.
Uma solução possível é considerar que a declaração dos Espíritos é de caráter geral: não são encarnações vividas todas elas exclusivamente na Terra. Nosso planeta receberia um fluxo contínuo de novos Espíritos provindos de mundos dispersos no espaço. Sabemos que existem muitos bilhões desses mundos só em nossa galáxia, que é uma entre bilhões de galáxias... Logo isso está de acordo com a Questão 172, cuja resposta explica que as várias vidas podem ser vividas "em diferentes mundos".
A continuação do estudo na Questão 173 retorna ao ponto anterior. Os Espíritos afirmam que se "pode viver muitas vezes no mesmo globo, se não se adiantou bastante para passar a um mundo superior". E, a resposta da questão 173(a) confirma que se pode "reaparecer muitas vezes na Terra". De qualquer forma, o assunto abre possibilidades de vários estudos em torno de demografia e reencarnação. Tivemos a oportunidade de contribuir nessa direção em um estudo anterior [1].
Quantas pessoas já viveram na Terra?
O problema parece ser uma sutileza, mas não é tão simples resolver. Em um interessante artigo recente, T. Kaneda e C. Haub [2] se propõem a calcular o número total de habitantes que já viveram na superfície da Terra. Esse número é importante pois, se ele for da ordem da população presente, estaríamos de fato em um momento singular de nossa história.
Acontece que o exercício é um jogo de hipóteses e suposições sobre a curva de crescimento da população antiga, bem como suas condição de vida mas não de sua taxa de mortalidade. Segundo Kaneda & Haub:
Qualquer estimativa do número total de pessoas que já viveram depende essencialmente de três fatores: o período de tempo que se pensa que os humanos estiveram na Terra, o tamanho médio da população em diferentes períodos e o número de nascimentos por 1.000 habitantes durante cada um desses períodos. A estimativa, no entanto, não depende do número de mortes em qualquer período de tempo. (grifo nosso)
Obviamente, o cálculo também depende da "semente de população inicial", bem como a data inicial assumida para o início da integração. De acordo com Kaneda & Haub:
Determinar quando a humanidade realmente surgiu não é simples. Acredita-se que os hominídeos mais antigos tenham surgido já em 7 milhões de anos a.C. As primeiras espécies do gênero Homo apareceram por volta de 2 milhões a 1,5 milhão a.C. As evidências atuais apoiam o aparecimento do Homo sapiens moderno por volta de 190.000 a.C. O Homo sapiens moderno originou-se na África, embora a localização exata seja debatida há muito tempo. Pensa-se que diversos grupos viveram em diferentes locais de África durante os primeiros dois terços da história humana.
De forma sumária, a população mundial até os últimos séculos sempre cresceu, acredita-se, a uma taxa baixíssima. Em 1. d. C ela atingiu a cifra de 300 milhões de indivíduos (pouco mais do que a população presente do Indonésia). Por volta de 1800 (d. C.) ela atinge 1 bilhão de pessoas e chega em nossa época com 8 bilhões.
O cálculo da "população dos que já viveram" integra a taxa de natalidade observada ao longo do tempo. O número resultante é admirável, já que a população de crianças era grande, pois supõe-se que a taxa de natalidade na pré-história e antiguidade era elevada. Essa taxa era da ordem de 80 por mil habitantes (!) contra 17 por mil habitantes hoje em dia (ver https://www.macrotrends.net/countries/WLD/world/birth-rate).
A taxa efetiva de crescimento - de onde se tira a população total "na data" - era baixa, pois a mortalidade era igualmente elevada. Morria-se muito frequentemente até o início da idade fértil, mas nascia-se a uma taxa um pouco maior, logo a população dos que atingiram essa idade fértil e conseguiam criar seus filhos era pequena.
Dito isso, para resumir, a Fig. 1 ilustra o resultado gráfico do estudo de Kaneda.
Este cenário portanto fortalece a tese de que vivemos num momento singular da história humana em que muitos Espíritos que não tiveram (ainda) oportunidades num largo período de tempo voltaram a reencarnar recentemente.
Referências
[1] A. Xavier (2012). Uma Abordagem Estatística para Calcular o Tempo Médio entre Encarnações Sucessivas, O Espiritismo nas Ciências Contemporâneas, J. R. Sampaio e M. A. Milani Filho (editores), CCDPE-ECM.
[2] T. Kaneda e C. Haub (2022). How Many People Have Ever Lived on Earth? Link: https://www.prb.org/articles/how-many-people-have-ever-lived-on-earth/ (acesso em dezembro de 2023)
[3] A. C. Gonçalves (2019). Aspecto Demográficos da Reencarnação dos Espíritos. Jornal de Estudos Espíritas 7, 010206.
[4] Canal Paranormal Cortes. (2023) Você sabe mesmo sobre Reencarnação? . https://www.youtube.com/watch?v=bVc7KHYd51k (acesso dezembro de 2023)
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A visão no poço dos mártires por G. Henry Boughton (1833-1905) |
Especialistas no assunto reconhecem as dificuldades nesses conceitos. Em seu livro Mediunidade: um ensaio clínico [1], o Dr. Nubor Facure pondera (p. 13):
Doença é uma perturbação no bem-estar físico, psíquico, social e espiritual do indivíduo. Sendo assim, pode-se, como máximo de cuidado ético e respeito ao médium, considerar que certas manifestações clínicas da mediunidade podem ser consideradas como "doença", especialmente naqueles momentos em que sua presença perturba o indivíduo na sua homeostase física e psíquica.
É um ponto de vista que reflete a visão médica: doença é tudo aquilo que pode "perturbar o indivíduo em sua homeostase física e psíquica".
Entretanto, pode-se argumentar que essa definição leva a se considerar como doença qualquer coisa que perturbe um índivíduo como causa. Assim, alguém abalado em sua saúde com excesso de trabalho, por exemplo, poderia acreditar que trabalho é doença. Portanto, as dificuldades em se lidar com a mediunidade nas suas fases iniciais podem perturbar o indivíduo, sem que isso implique em considerá-la como doença em si.
Segundo Kardec
A palavra "médium" tem uma acepção clara segundo Kardec [2] (Vocabulário Espírita):
MÉDIUM. (do latim, medium, meio, intermediário). Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens.
E a mediunidade é a faculdade dos médiuns. Quanto à obsessão, ela está definida, p. ex., em várias partes das obras de Kardec. Por exemplo em [1], Parágrafo 237 (Capítulo 23, "Da Obsessão")
...a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas.
Também encontramos definições semelhantes com, p. ex., no Parágrafo 70 (Capítulo 2, "Escolhos da mediunidade"):
Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, isto é, o domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, impondo-se-lhes sob nomes apócrifos e impedindo que se comuniquem com outros Espíritos.
Observamos que a interferência entre os dois fenômenos já transparecia a Kardec que estudou a obsessão como uma perturbação ao fenômeno mediúnico.
É importante considerar que a mediunidade se caracteriza como um processo de comunicação. No fenômeno obsessivo (no contexto mediúnico), seu objetivo não é simplesmente comunicar algo, mas agir sobre o médium de maneira a prejudicar a ele e a todos os que dele se servem. Na obsessão, o canal (não só o médium, mas também a linguagem) se transforma em um instrumento para realização de atos em prejuízo ao círculo mediúnico.
Obsessão fora da mediunidade na acepção restrita.
Entretanto, a obsessão também age sobre pessoas que não podemos considerar, em tese, "médiuns". Desde a mais sutil fascinação, até os últimos graus de possessão (conforme as definições que podemos encontrar em [1]), o sujeito obsediado não está na posse completa de suas faculdades cognitivas. Poderíamos caracterizar esse estado de coisas como um fenômeno mediúnico?
Em parte a confusão se deve a distinção entre possíveis significados dados à palavra mediunidade conforme podemos ler em [3] (grifos nossos):
Quando analisamos um texto ou um discurso onde o termo médium aparece, é importante reconhecer em qual desses sentidos está sendo empregado, a fim de se evitarem mal-entendidos e discussões sem fundamento. Assim, por exemplo, a afirmação feita no parágrafo 159 de O Livro dos Médiuns de que “todos [os homens] são quase médiuns” deverá ser entendida apenas na acepção ampla do termo, pois sabemos, pela questão 459 de O Livro dos Espíritos, que todos somos passíveis de receber a influência dos Espíritos, ainda que sob a forma sutil de intuição. Incorreremos em grave equívoco se concluirmos daí que todos somos mais ou menos médiuns no sentido restrito e usual da palavra, ou seja, se julgarmos que todos podemos produzir manifestações ostensivas, tais como a psicofonia, a psicografia, os efeitos físicos etc.
Dessa forma, a existência de possível generalização semântica do termo mediunidade (a acepção ampla) pode levar a conclusões precipitadas se misturada à concepção mais restrita dada acima por Kardec.
Entretanto, essa distinção no nível da linguagem não resolve o problema que nos preocupa aqui. Ele se liga à provável origem comum que ambos os efeitos (mediunidade e obsessão) podem ter. É por essa razão que o Dr. Nubor Facure pondera [1] (p. 14, grifos nossos):
As doenças mentais são fragilidades a alma e, por isso, facilitadoras da atuação compartilhada de Espíritos, e escancaram as portas para a obsessão. Esses Espíritos são irmãos nossos comprometidos com a ignorância, quase sempre perturbadores, querelentes e exigents de direitos que cobram do paciente perturbado mentalmente. Esse quadro, extremamente comum, constitui uma associação clínica simbiótica de muita gravidade. Acredito que na esquizofrenia, na bipolaridade e nas paranoias diversas, ocorre uma frequente troca ambivalente entre o orgânico e o espiritual. A associação entre a doença mental e uma perturbação espiritual é, a meu ver, a regra na psicopatologia humana.
No fenômeno obsessivo puro ocorre assim uma simbiose entre os dois mundos que correm paralelos. Nesse fenômeno, não é objetivo principal a comunicação, mas uma influência nociva sobre o Espírito do doente. Uma explicação mais completa sobre os paralelos entre obsessão e mediunidade passa necessariamente por uma teoria neurológica da mediunidade. Algumas sugestões interessantes são dadas por N. Facure na obra que aqui citamos.
De forma muito sucinta, na proposta de Facure, existe uma grande dependência do fenômeno mediúnico - principalmente se de efeito intelectual - com o cérebro. Essa dependência é tão grande a ponto de ser talvez possível mapear tipos de mediundidade conforme áreas no cérebro especializadas pela manfestação da consciência. Por exemplo, no chamado "lóbulo frontal" (Fig. 1), vias neurais por onde trafegam as informações destinadas às funções superiores da cognição, a incidência da mediunidade é responsável por fenômenos comunicativos mais elevados (psicografia, psicofonia etc) [4]:
Pelo exposto, podemos compreender que fenômenos como a psicografia, a vidência, a audiência e a fala mediúnica, devem implicar uma participação do córtex do médium já que aqui se situam áreas para a escrita, a visão, a audição e a fala.
Em outras regiões do cérebro - onde estão os circuitos ligados às manifestações mais primitivas e ligadas às sensações - eventual incidência da faculdade pode levar a outros tipos de fenômenos. Por exemplo, o médium sentir as mesmas sensações do Espírito que dele se aproxima. É o que descreve N. Facure com relação ao Tálamo, uma estrutura localizada no chamado "diencéfalo", uma estrutura localizada na base do cérebro [4]:
É possível que muitas das sensações somáticas referidas pelos médiuns, que dizem perceber a aproximação de entidades espirituais, como se estes lhes estivessem tocando o corpo, seja efeito de estímulos talâmicos.Nesse caso, pela ação do córtex do médium os estímulos espirituais podem ser facilitados ou inibidos pela aceitação ou pela desatenção do médium, bem como por efeito de estados emocionais não disciplinados pelo médium.
Podemos especular que, por não terem carácter comunicativo, tais vias não conscientes podem se manifestar como fenômenos obsessivos.
Para que o leitor possa fazer uma ideia mais justa do impacto e relevância dessa teoria, consideremos, por exemplo, o que a ciência descreve com as áreas do cérebro responsáveis pela sexualidade [5]:
O comportamento sexual é regulado por estruturas subcorticais, como o hipotálamo, tronco cerebral e medula espinhal, e várias áreas cerebrais corticais que atuam como uma orquestra para ajustar com precisão esse comportamento primitivo, complexo e versátil. No nível central, os sistemas dopaminérgicos e serotoninérgicos parecem desempenhar um papel significativo em vários fatores da resposta sexual, embora os sistemas adrenérgicos, colinérgicos e outros transmissores de neuropeptídeos também possam contribuir.
Agora, imaginemos que tais circuitos sejam em parte afetados pela mediunidade em certo grau, a ponto de se tornar um fenômeno obsessivo. Se esse é o caso, quantas pessoas no mundo, portadoras de distúrbios sexuais ainda pouco compreendidos (citamos, por exemplo, a Pedofilia mas poderíamos falar em inúmeras parafilias) não poderiam estar de fato sob influência obsessiva ? Quantas, consideradas incuráveis, não poderiam se beneficiar de um tratamento que considerasse os aspectos espirituais envolvidos?
O assunto assim é de imensa importância para a Humanidade.
Referências
[1] N. Facure (2014). Mediunidade, um ensaio clínico. Ed. Allan Kardec. Campinas, SP.
[2] A. Kardec (1944).O Livro dos Médiuns. 58a Edição. Ed. FEB. Tradução Guillon Ribeiro.
[3] S.S. Chibeni e C. S. Chibeni. Estudo sobre mediunidade. Reformador de agosto de 1997, pp. 240-43 e 253-55. Federação Espírita Brasileira. Uma versão acessível deste trabalho pode ser lido em:
[4] N. Facure. Neurofisiologia da mediunidade. Link:
[5] S. Calabrò et al (2019). Neuroanatomy and function of human sexual behavior: A neglected or unknown issue?. Brain and Behavior, v. 9, n. 12, p. e01389. Link: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/brb3.1389