Relatos de Experiência de quase-morte de cegos de nascença.

No ano de 1997, Ring e Cooper publicaram um artigo com um estudo [1] de 31 pessoas cegas que passaram por experiências de quase-morte (EQM em português ou, em inglês, "NDE" ou "near death experiences") ou fora do corpo (EFC). O resultado foi surpreendente:
Este artigo apresenta os resultados de uma investigação sobre experiências de quase morte e experiências fora do corpo em 31 participantes cegos. O estudo buscou abordar três questões principais: (1) se indivíduos cegos vivenciam experiências de quase morte (EQMs) e, em caso afirmativo, se elas são iguais ou diferentes daquelas vivenciadas por pessoas videntes; (2) se pessoas cegas relatam ver algo durante EQMs e experiências fora do corpo (EFCs); e (3) se tais relatos, quando feitos, podem ser corroborados por meio de evidências independentes. Nossos resultados revelaram que pessoas cegas — incluindo aquelas cegas de nascença — relatam EQMs clássicas, do tipo comum entre videntes; que a grande maioria das pessoas cegas afirma ver durante EQMs e EFCs; e que, ocasionalmente, relatos de conhecimento de natureza visual — que não poderia ter sido obtido por meios normais — podem ser corroborados de forma independente. Apresentamos e avaliamos diversas explicações para esses achados antes de chegar a uma interpretação baseada no conceito de consciência transcendental.
O trabalho citado teve como motivação investigar alegações anteriores e mal documentadas sobre a visão de se encontrar fora do corpo em pessoas cegas. O caso mais famoso relatado no artigo é de Vicki Umipeg, uma mulher com 43 anos na época do artigo e que se tornara cega desde seu nascimento por ter recebido oxigênio demais em uma incubadora. Vicki passou por duas EQMs, uma com 12 anos de idade por causa de uma apendicite e, 10 anos depois, ao sofrer um acidente de automóvel. Interessantemente, essas duas EQMs foram bastante parecidas. Na sua segunda experiência, ela contou que:
Enquanto estava em seu estado de projeção fora do corpo, ela tinha consciência de estar em um corpo não físico, sem forma definida, e que era, como ela mesma descreveu, "como se fosse feito de luz".
Sua experiência, porém, não seria só isso:
Ela não se lembrava da viagem de ambulância até o Hospital, mas, ao chegar no pronto-socorro, recuperou a consciência e viu-se flutuando junto ao teto, observando um médico e uma mulher — ela não tinha certeza se a mulher era outra médica ou uma enfermeira — trabalhando em seu corpo. Ela também conseguia ouvir a conversa deles, que girava em torno do receio de que, devido a uma possível lesão no tímpano, Vicki pudesse ficar surda além de cega. Vicki tentou desesperadamente comunicar-lhes que estava bem, mas, naturalmente, não obteve resposta. Ela também tinha consciência de ver seu corpo abaixo de si, que reconheceu por certas características distintivas, como uma aliança de casamento peculiar que usava.
Um outro caso é o de Brad Barrows, também cego de nascença, que contou ter sido puxado dentro de túnel para um imenso campo luminoso, ter percorrido um caminho entre grama alta e árvores, ter ouvido música dulcíssima e ter se aproximado de uma estrutura de pedra cintilante. Lá dentro, encontrou um ser de amor envolvente que iniciou seu retorno ao corpo, terminando com Barrows na cama, ofegante, atendido por duas enfermeiras. Tal como no caso de Vicki Umipeg, o relato de Barrows é bastante idêntico aos relatos de EQM de pessoas não cegas — mesmos elementos, mesma sequência, mesmo registro emocional etc.
Os resultados mostraram, assim, que cegos -- inclusive aqueles que são cegos de nascença -- passam por EQM indistinguíveis das pessoas normais. Ora, um dos principais resultados da tese materialista é que a consciência é produto do cérebro. Como é possível, porém, que pessoas que nasceram cegas tenham "alucinações visuais"? O enorme problema a ser enfrentado pela ciência e sua concepção filosófica materialista é a inexistência de uma teoria suficientemente desenvolvida para a mente. Simplesmente acreditar que a consciência é um subproduto do cérebro -- sem explicar a complexidade das sensações -- coloca a comunidade acadêmica em uma posição bastante vulnerável.
Portanto, as EQMs em pessoas cegas são, provavelmente, as mais fortes provas do fracasso das teorias materialistas neurológicas que não acreditam na independência da consciência humana da matéria. Como já discutimos em um outro post [2], esses casos representam uma prova crucial do caráter independente da consciência e são também prova da existência do corpo espiritual.
Junto aos inúmeros casos de EQMs verídicas (aquelas em que os pacientes relatam fatos próximos que são confirmados posteriormente e que seriam impossíveis de serem captados pelo cérebro agonizante), tais evidências são demonstrações contundentes da imortalidade do ser, não obstante serem desprezadas de forma sistemática pelo establishment científico moderno.
Referências
[1] Ring, K. & Cooper, S. (1997). Near-death and out-of-body experiences in the blind: a study of apparent eyeless vision. Journal of Near-Death Studies, 16(2), 101–147. Baixar o arquivo aqui.
[2] Ver também: https://eradoespirito.blogspot.com/2013/04/experimentum-crucis-eqms-em-pessoas.html
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