15 de dezembro de 2012

1/3 - Análise de 'A Teoria Corpuscular do Espírito' e 'Psi quântico' (por Alexandre F. da Fonseca)


O movimento espírita tem demonstrado enorme interesse no desenvolvimento da Ciência e, em particular, nos avanços da Física moderna. Idéias como ligação não-local, estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo, ou não estar em nenhum lugar antes de uma medida, influência do observador etc têm despertado a imaginação de leitores leigos em Física (e mesmo em alguns não tão leigos assim) com relação às questões espirituais. E, em função do status de verdade que a Ciência goza, capaz de revelar e orientar o progresso intelectual da humanidade, desenvolveu-se um fenômeno curioso dentro das diversas religiões que é o de buscar apoio nas Ciências modernas para doutrinas e teorias de natureza espiritualista. Como não podia deixar de ser, o movimento espírita também tem aderido a essa tendência e há décadas vemos obras que pretendem unir conceitos da Ciência com o Espiritismo, na intenção (boa, diga-se de passagem) de promover ou valorizar o aspecto científico do mesmo.  

Porém, boa intenção não é o suficiente para mostrar que um conhecimento novo corresponde de fato à realidade e mesmo na boa fé, pode-se prejudicar mais do que ajudar. Se o interesse é valorizar o aspecto científico do Espiritismo, importante se torna questionar se de fato idéias, teorias, doutrinas, práticas que se dizem baseadas na Ciência e que se propõem no meio espírita são de fato tão dignas de mérito científico quanto qualquer ideia, teoria ou prática novas que surgem dentro do contexto puramente acadêmico ou científico.

O propósito desta série de posts é, portanto, trabalhar um aspecto pouco presente no movimento espírita: auto-crítica de suas teorias científicas. E, se o assunto é falar de ciência, lembramos que uma das formas da Ciência se desenvolver é através de auto-críticas construtivas dos trabalhos anteriores, onde se procura aprimorar e corrigir teorias e experimentos anteriores para obter resultados mais precisos ou mesmo prever e descobrir novos fenômenos.

Em um post recente, foram apresentados alguns argumentos sobre a forma equilibrada e cristã que o espírita tem como dever na hora de realizar uma análise crítica do que dizem os adversários do Espiritismo. Adotamos isso na análise que se segue de uma das teorias científicas mais comentadas no meio espírita, muito mais por méritos pessoais do seu autor, do que pela própria teoria. Estamos falando das teorias A Teoria Corpuscular do Espírito [1] e Psi Quântico [2] de Hernani Guimarães Andrade (1913-2003). Conhecido confrade espírita pela sua dedicação à pesquisa e divulgação no Brasil e no mundo dos fenômenos psíquicos e, mais ainda, pela sua personalidade fraterna e amável, Hernani escreveu duas obras de natureza teórica a respeito da estrutura da matéria que comporia o Espírito e/ou a matéria psi. Assim como se faz em qualquer ciência madura, vamos analisá-las sob a luz da ciência e da razão. Em uma série de três posts, apresentaremos um resumo dos pontos críticos presentes nas teorias acima. Um trabalho mais detalhado sobre o assunto está sendo preparado para futura apresentação no próximo encontro da LIHPE.

Nosso objetivo principal é apresentar uma análise aprofundada das teorias de Hernani de acordo com conceitos bem estabelecidos da Física. As seguintes questões nortearão a análise: i) teriam as teorias de Hernani, por utilizarem conceitos da Física, sanção da mesma? ii) Apresentariam elas o que chamamos de auto-consistência, isto é, ausência de contradições entre si ou com outros conceitos da Física? Analisaremos alguns conceitos das obras das Refs. [1] e [2] da mesma forma como novas teorias e conceitos são analisados dentro da área da Física.

Pontos falhos das bases da A Teoria Corpuscular do Espírito

1. Sobre a necessidade de uma teoria com base na Física

Uma justifica para o desenvolvimento de uma teoria corpuscular do espírito foi dada por Hernani na pág. 44 da edição de 2007 da obra [1](1), cap. I, seção “O Espiritismo e as Ciências”:  
No entanto o Espiritismo ressente-se da falta de teorias que lhe facultem avanço seguro na estrada da pesquisa metódica de laboratório.” 
Esse comentário é curioso, pois que o Espiritismo é uma doutrina ou teoria fenomenológica, isto é, ligada aos fatos e fenômenos e, portanto, ela naturalmente contém em si orientações para pesquisas de natureza experimental, metódica e em laboratório. Veja-se para isso a análise do artigo da Ref. [3] e o post “Sobre teorias fenomenológicas e construtivas .
2. A natureza corpuscular do espírito

Sob esse título, numa das seções do cap. II intitulado “As Bases da Teoria”, Hernani afirma na pág. 61 que
 “Os mesmos argumentos lógicos que levaram a admitir-se a descontinuidade da matéria como necessária e imprescindível são aplicáveis à noção que hoje temos do espírito.
Essa afirmação decorre de uma análise feita por Hernani em páginas anteriores do chamado paradoxo de Zenon de Eléia, como razão suficiente para concluir que a matéria deve ser descontínua. Há dois erros nessa consideração. Primeiro que o paradoxo de Zenon é facilmente resolvido se considerarmos que o produto de uma grandeza que tende a zero por outra que tende ao infinito, pode ter resultado finito. Ou que a soma de um número infinito de termos que individualmente tendem a zero, pode ter resultado finito. Isso, por exemplo, permite definir o conceito de uma integral em Cálculo como o limite da soma de infinitos termos que tendem a zero. Isso resolve o paradoxo de Zenon de Eléia. Outro erro é basear a hipótese de descontinuidade da matéria nesse paradoxo. A Física clássica trabalhou (e ainda trabalha) com o conceito de continuidade da matéria muito bem. Muitos fenômenos materiais na escala macroscópica são muito bem descritos por teorias que consideram um material como sendo formado por elementos de volume maciços e justapostos. A idéia de que a matéria era formada por partículas discretas só surgiu depois de experimentos como os realizados por Rutherford e sua equipe onde feixes de partículas alfa (que são núcleos de átomos de hélio) foram arremessados contra uma folha fina de ouro. Os resultados mostraram que a matéria não podia ser formada de átomos de acordo com um modelo conhecido como pudim de ameixas [4] em que os elétrons se distribuiam uniformemente em uma esfera positiva de cargas do tamanho do átomo. Para explicar seus experimentos, Rutherford propôs um modelo do tipo planetário para o átomo, isto é, em que os elétrons giravam em torno de um núcleo bem pequeno assim como os planetas giram em torno do sol.
Diagrama esquemático do experimento de Rutherford.
3. Quanta de vida, de percepção e inteligência
Na seção “Componentes do Átomo Espiritual” do cap. II de [1], Hernani apresenta a definição de três novas partículas (pág. 67): “quantum de vida; quantum de percepção-memória; e quantum de inteligência.”. Na página anterior, Hernani argumenta que essas três características, vida, percepção-memória e inteligência são parte integrante e presente nos seres vivos. Na página seguinte, ele propõe a existência das partículas, bíon, percepton e intelecton para representarem esses quanta, respectivamente.
A primeira observação que fazemos é notar que a teoria acima não seguiu o esquema de desenvolvimento das teorias atômicas da Física. As falhas dessa proposta são as seguintes:
1) Em Física, até hoje jamais se postulou a existência de partículas relacionadas com o comportamento de sistemas complexos. Seres vivos, para a Física atual, são sistemas abertos e longe do equilíbrio termodinâmico apresentando, assim, comportamento rico e complexo. Apesar de bem intencionada, a proposta de que as características de vida, de percepção-memória e inteligência decorram de partículas individuais não soluciona de fato o problema de se descobrir qual é a origem da vida. Filosoficamente alguém pode perguntar mas por quê essas partículas se comportam assim? A única forma de aceitar essa proposição seria demonstrar experimentalmente a existência de tais partículas, e com as tais propriedades especiais, da mesma forma como, por exemplo, a Ciência material, hoje, busca medir a existência do Bóson Higgs. Por mais sensata seja a proposta do Bóson de Higgs para explicar a massa de todas as partículas de acordo com o chamado Modelo Padrão da Física de Partículas, sem a medida direta da sua existência, a teoria não é considerada 100% correta. A existência da massa das diversas partículas não serve de comprovação para a existência do bóson de Higgs. Essa falha, infelizmente, é cometida na Teoria Corpuscular do Espírito. A forma de demonstrar a existência de bíons, intelectons e perceptons foi proposta ser através da análise do comportamento complexo dos seres vivos. Na verdade, Hernani não percebeu que não se pode usar um fenômeno complexo para provar um postulado baseado no próprio fenômeno complexo. 

A Ciência ainda não sabe descrever de modo completo o comportamento biológico e menos ainda psicológico dos seres. Mas isso não sugere que a solução está na definição simples da existência de partículas que tenham as funções que não sabemos descrever ainda! Em Ciência, partimos de poucas hipóteses fundamentais e com elas tentamos descobrir o comportamento de uma gama enorme de sistemas e materiais. O sucesso de novas teorias depende disso.

Tubo de raios catódicos.
2) Que na Física a descoberta das partículas subatômicas decorreram de experimentos como, por exemplo, o de J. J. Thomson com tubos de raios catódicos, que permitiram descobrir os elétrons. Que experimentos poderiam demonstrar a existência de bíons, perceptons e intelectons individualmente? Que experimentos poderiam demonstrar que perceptons estão associados à percepção-memória e intelectons estão associados a inteligência nos seres vivos? Foram experimentos como o de Thomson que mostraram que a matéria é formada por partículas subatômicas, e não os fenômenos complexos em escala macroscópica! Além disso, ao elétron e ao próton não foram associados nada mais que propriedades de possuírem determinado valor de carga elétrica e massa que, por sua vez, foram medidas por experimentos. Já as propriedades complexas como energia de coesão, condutividades elétricas e térmicas, elasticidade e outras, são obtidas sem a necessidade de definir um quantum de cada uma dessas propriedades.

3) Outra falha dos fundamentos da teoria de Hernani consiste em não definir o significado dos quanta apresentados por ele. Por exemplo, ele diz na pág. 67 que

Esta expressão – quantum – é aqui tomada como constituindo a menor fração possível, tendo, porém, um valor constante, fixo e determinado para cada componente-tipo.” 
Perguntamos o que entender por “menor fração possível”?  Fração possível do quê? Valor constante e fixo de que quantidade? Em termos de quê? Em Física Quântica, um quantum é uma quantidade fixa numérica e bem definida [4]. Quando Planck propôs a quantização das trocas de energia entre radiação e matéria, ele analisou o espectro de radiação do corpo negro em termos de quantidades de energia proporcionais a kBT [4], onde kB é a constante de Boltzmann e T a temperatura do corpo. Quando Einstein propôs que a radiação era composta de partículas de luz, ou fótons, ele propôs uma forma quantitativa de mensurar a quantidade de energia de um fóton [4]. Mas na teoria de Hernani, quanto vale um quantum de percepção ou inteligência? Cremos poder responder essa última pergunta afirmando que não sendo material o objeto de estudo da teoria, que é o espírito, não se pode tratá-la de maneira material ou análoga à matéria. Como podemos ler nos seguintes comentários de Kardec após a questão 28 de O Livro dos Espíritos [5]:
Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. (...) Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. (...).(Grifos em negrito, meus).
Esse é um importante detalhe que precisa ser levado em conta em qualquer teoria para a interação espírito-matéria. Concluímos dessa parte da análise que os fundamentos da teoria de Hernani não possuem respaldo experimental direto.
No próximo post, continuaremos a análise dos fundamentos da Teoria Corpúscular do Espírito. No terceiro post realizaremos alguns comentários sobre a teoria do Psi Quântico [2].

Referências

[1] H. G. Andrade, A Teoria Corpuscular do Espírito, re-impresso pela Editora DIDIER, Votuporanga,  (2007).
[2] H. G. Andrade, Psi Quântico - Uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espirito, 3ª edição, Editora Pensamento LTDA, São Paulo (1991).
[3] S. S. Chibeni, “O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso”, Reformador Agosto, p. 37 (2003); Setembro, p. 38 (2003); Outubro, p. 39 (2003).
[4] R. Eisberg e R. Resnick, Física Quântica – Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas, Editora Campus, 21a. Reimpressão (1979).
[5] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, FEB, 1ª. edição, Rio de Janeiro (2006).

Notas

(1) As páginas citadas aqui se referem às edições usadas como referência. O leitor deve buscar procurar as páginas corretas nas edições anteriores ou posteriores

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20 comentários:

  1. A crítica não visa à destruição de uma teoria, mas ao seu aperfeiçoamento e identificação de limites. Creio que se encarnado, o próprio Hernani teria interesse em uma análise qualificada de suas ideias. Parabéns ao Alexandre por abrir o diálogo de forma séria e fundamentada, e parabéns ao Hernani Guimarães Andrade por sua trajetória e contribuições à pesquisa espírita, mesmo tendo defendido ideias polêmicas.

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    1. PARTE I

      Esse rapaz aspira a ser uma espécie de medidor singular da cientificidade ou não teorias sobre aspectos do Espiritismo. Mais de uma vez, ele falha doutrinariamente, por inúmeras razões: a uma, por ignorar o fato de o conceito de "ciência espírita" não ser necessariamente identificável com o de "ciência acadêmica"; a duas, por não levar em consideração o fato de a "física" ser uma disciplina própria do materialismo e, portanto, voltada apenas à descrição de fenômenos do princípio material; a três, por não observar a minúcia de que os modelos materialistas podem, no máximo, ser aplicáveis a zonas fronteiriças, não servindo senão a tentar explicar e justificar uma breve parcela dos fenômenos. Desse modo, a condição de ser "físico", com todas as titulações possíveis e imagináveis, não o torna mais capaz de analisar e apreciar questões eminentemente doutrinárias. Se procurassem uma discussão mais ampla sobre o conceito de "epistéme theoretiké", talvez pudessem entender em que sentido Allan Kardec se utilizou da palavra ciência na expressão "ciência espírita". Husserl abriu um caminho interessante em tal sentido. Mais tarde, Heidegger. Segundo advertira o Mestre de Lyon, a "ciência acadêmica" não tem nenhuma competência em matéria de Espiritismo e sobre ele só pode opinar em termos.
      ...
      Essa tendência bacharelesca do MEB, aliás assaz contrária aos anseios do Espiritismo e de quem melhor o representara, o próprio Allan Kardec, tem sido uma autêntica patologia sistêmica, uma vez que se hão composto grupos, confrarias e ligas cujos membros parecem julgar-se mais capacitados a sobre a Doutrina opinar pelo fato de reunirem títulos e formações acadêmicas. Trata-se de profundo equívoco. Em tais confrarias, uns soem catalisar atenção dos outros, em malogradas tentativas de reduzir o espectro de entendimento do Espiritismo.

      Aliás, a leitura feito pelo articulista sobre a Teoria Corpuscular do Espírito anda em erro, por ausência de completude. Em nenhum momento, Hernani intentou encontrar a base da percepção, da inteligência e da vida em si mesmas nas "partículas psíquicas" a que ele se referia (percepton, intelecton e bíon). Aliás, durante vários anos de diálogos com o próprio Hernani, eu tive a ensancha de elucidar vários desses pontos. Em princípio, como previa o Espírito Lamennais, no item 51 de OLM, a natureza o perispírito, por exemplo, será alcançada. Pelo visto, o articulista não entendeu ou não quis entender, pelo vezo de tudo criticar "à luz da física" e da "ciência", ser a Teoria Corpuscular do Espírito, em verdade, uma teoria do perispírito. Na dicção de Allan Kardec, não há Espírito sem perispírito, porquanto se designa assim (Espírito) o ser duplo (princípio inteligente individualizado=espírito, com "e" minúsculo, como na questão 23 de OLE, mais o perispírito). Logo, o Espírito a que Hernani se reportava era o SER DUPLO e não o "ser metafísico", que é o princípio inteligente em si mesmo. De mais a mais, "os conceitos bem estabelecidos" da física não dão conta, reducionistamente, de explicar questões que não estão ao alcance do "materialismo".

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  2. PARTE II

    Aliás, o Pedagogo francês distinguia bem o conceito de "alma" como o de "princípio inteligente" enquanto essa "porção imaterial", em si mesma, considerada teticamente sem o corpo anímico, está temporariamente num corpo material denso. Tanto verdade, que a "alma" é para ele o SER SINGULAR, o "Espírito", o SER DUPLO e o homem, o SER TRIPLO ("Vide" O Que é o Espiritismo, por exemplo). Como não interessa a Hernani adentrar-se no problema metafísico sobre a natureza íntima do princípio inteligente, por impossibilidade científica (a questão é eminentemente filosófica), ele se limitou a tentar investigar o SER DUPLO, por cujo corpo anímico as "propriedades da consciência" se manifestam. Por outro lado, tratou-se de uma tentativa de ordem teórica, cujos meios de verificabilidade o próprio Hernani elaborara. Ademais, como assinala Luís de Almeida, cuja formação científica não se revela menor do que a do articulista, a "corpuscularização" do perispírito, o qual integra o SER COMPOSTO (DUPLO) denominado Espírito, explica bem o fato de o FCU poder modificar-se ao infinito. Apesar de não ser uma teoria definitiva (nem Hernani assim pensava), é a única até o momento capaz de explicar e justificar a multiplicidade da "matéria fluídica" (?). Destarte, o articulista parece adentrar-se em questões que escapam à sua alçada e à da "física" (repito, essencialmente modelada segundo o materialismo), como se "experimentos" pudessem conglobar toda a gama conceitual do Espiritismo. Esse pessoal precisa conscientizar-se de que o Espiritismo não se propõe uma redução a uma "ciência acadêmica", tendo ampla dimensão filosófica. Esse tipo de artigo, malgrado aparentemente bem intencionado, parece uma faca de dois gumes: enquanto o inferior corta a teorização, o de cima fere diretamente a própria natureza da Doutrina. Se o referido "físico" dispuser de melhor teoria, escreva sobre ela e a publique para o nosso regalo.

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    1. Ricardo

      Grato por seus comentários. Mas, justamente pelo articulista entender que 'o Espiritismo não se propõe uma redução a uma ciência acadêmica' - reitero aqui que concordo absolutamente com vc nisso - o Hernani não teria o direito de fazer o mesmo. Pois, ao reduzir princípios espíritas a relação entre partículas (sem respaldo experimental porque não tem como ter esse respaldo, concordo de novo com vc), a teoria de Hernani não passa do que um conjunto de afirmações ou 'hipóteses adhoc' totalmente desnecessárias à Doutrina. Aos olhos de quem conhece um pouco de física ela é, no máximo, uma tipo de 'crackpot' como dizem os Americanos. O objetivo do Alexandre indiretamente foi expor isso.

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  3. Não vislumbro o porquê de as "hipóteses 'ad hoc'" de Hernani seriam desnecessárias à Doutrina. A leitura feita pelos senhores a esse respeito está errada, equivocada, totalmente incompossível com a proposta de Hernani. Em nenhum momento, ele afirmou algo assim. Um dos primeiros passos - para, a bem da própria confutação, alcançar-se um "approach" correto - liga-se a uma interpretação correta do que se intenta refutar. A meu juízo, apesar de reverenciar José Herculano Pires como um grande interlocutor e pensador da Filosofia Espírita, os senhores incorrem nos mesmos erros em que ele incorrera, no livro "A Pedra e O Joio". Leiam, por favor, se ainda não o leram, o prefácio de Luís de Almeida. Fico a me perguntar o porquê de, como físico, Luís de Almeida encontrar-se tão errado. No atinente à vida, por exemplo, como resultante da atividade do Fluido Vital (modificação do FCU), junto à matéria densa, não há nenhum absurdo em entender-se a questão sob ângulo de "efeitos justapositivos" de "corpúsculos hiperespaciais".

    O problema é que, pelo artigo acima situado, encontramos o exemplo de errada leitura feita sobre a Teoria. As conclusões dele são tão equivocadas quanto as de Herculano. Hernani Guimarães não aspirava a resolver questões metafísicas, das quais a "ciência acadêmica" não conseguirá jamais libertar-se, porque elas tratam de aspectos qualitativos do universo e não necessariamente quantitativos. Esse visão "fisicalista" se revela distorcida. Por exemplo: deem-nos os físicos a "prova" de que o sabor doce é assim e o sabor salgado é desse outro jeito!!! Impossível. Trata-se de um nível que, apesar de perceptível, tem um viés "metafísico" inevitável.

    Ademais, o argumento dele relativamente às qualidades "não provadas" do bíon, do percepton e do intelecton aplica-se à própria física!!! Do contrário, vejamos: a Lei de Dufay se refere às duas cargas possíveis das partículas do universo, além da que não a tenha (neutra). O que é que, no próton, vem torná-lo "positivo"? O que é que, no elétron, vem torná-lo "negativo"? Nenhum dos senhores têm condição de comprovar experimentalmente essa natureza íntima da "carga".Isto não pode a física resolver mesmo, limitando-se apenas a descrever a contraposição de efeitos. Vale a pena ler uma obra chamada "As Bases Metafísicas da Ciência Moderna", de Edwin Burtt. Há também um físico, matemático e filósofo norte-americano, chamado Wolfgang Smith, cujas obras desmontam essa pretensão da própria física. Não se trata de nenhum físico à moda Amit Goswami. Então, menos, companheiros, menos.

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  4. Não vislumbro o porquê de as "hipóteses 'ad hoc'" de Hernani serem desnecessárias à Doutrina. A leitura feita pelos senhores a esse respeito está errada, equivocada, totalmente incompossível com a proposta de Hernani. Em nenhum momento, ele afirmou algo assim. Um dos primeiros passos - para, a bem da própria confutação, alcançar-se um "approach" correto - liga-se a uma interpretação correta do que se intenta refutar. A meu juízo, apesar de reverenciar José Herculano Pires como um grande interlocutor e pensador da Filosofia Espírita, os senhores incorrem nos mesmos erros em que ele incorrera, no livro "A Pedra e O Joio". Leiam, por favor, se ainda não o leram, o prefácio de Luís de Almeida. Fico a me perguntar o porquê de, como físico, Luís de Almeida encontrar-se tão errado. No atinente à vida, por exemplo, como resultante da atividade do Fluido Vital (modificação do FCU), junto à matéria densa, não há nenhum absurdo em entender-se a questão sob ângulo de "efeitos justapositivos" de "corpúsculos hiperespaciais".

    O problema é que, pelo artigo acima situado, encontramos o exemplo de errada leitura feita sobre a Teoria. As conclusões dele são tão equivocadas quanto as de Herculano. Hernani Guimarães Andrade não aspirava a resolver questões metafísicas, das quais a "ciência acadêmica" não conseguirá jamais libertar-se, porque elas tratam de aspectos qualitativos do universo e não necessariamente quantitativos. Essa visão "fisicalista" se revela distorcida. Por exemplo: deem-nos os físicos a "prova" de que o sabor doce é assim e o sabor salgado é desse outro jeito!!! Impossível. Trata-se de um nível que, apesar de perceptível, tem um viés "metafísico" inevitável.

    Ademais, o argumento dele relativamente às qualidades "não provadas" do bíon, do percepton e do intelecton aplica-se à própria física!!! Do contrário, vejamos: a Lei de Dufay se refere às duas cargas possíveis das partículas do universo, além da que não a tenha (neutra). O que é que, no próton, vem torná-lo "positivo"? O que é que, no elétron, vem torná-lo "negativo"? Nenhum dos senhores têm condição de comprovar experimentalmente essa natureza íntima da "carga".Isto não pode a física resolver mesmo, limitando-se apenas a descrever a contraposição de efeitos. Vale a pena ler uma obra chamada "As Bases Metafísicas da Ciência Moderna", de Edwin Burtt. Há também um físico, matemático e filósofo norte-americano, chamado Wolfgang Smith, Ph.D, cujas obras desmontam essa pretensão da própria física. Não se trata de nenhum físico à moda Amit Goswami. Então, menos, companheiros, menos.

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  5. Olá Todos,

    Dois comentários interessantes de Kardec para reflexão:

    "Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos.

    Allan Kardec, Obras Póstumas, “Constituição do Espiritismo, Dos Cismas”"

    e

    "Cada um é livre para encarar as coisas à sua maneira, e nós, que reclamamos essa liberdade para nós, não podemos recusá-la aos outros. Mas, do fato de que uma opinião seja livre, não se segue que não se possa discuti-la, examinar-lhe o forte e o fraco, pesar-lhe as vantagens ou os inconvenientes". (Allan Kardec - RE-1866)

    Um abraço,
    Alexandre

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  6. A meu ver, o problema delicado em que tocam as análises que procuram desmistificar estas incursões espiritualistas em meio à Ciência (seja lá o que este termo queira dizer), é o de produzirem de maneira simetricamente inversa a relação de autoridade que a comunidade científica utilizou sistematicamente, em nome da universalidade da razão, para alijar o espiritismo de suas pretensões científicas.
    Isto, a meu ver, afasta o espiritismo do diálogo com as demais perspectivas espiritualistas e o faz conservador frente às demandas sociais contemporâneas que enlaçam ciências da natureza e ciências humanas. Pois não conseguindo tratar a sua problemática nos termos das ciências naturais, e tendo em sua constituição no espaço do que seria o âmbito das humanidades a reminiscência da necessidade da Lei, acaba por fundar uma moral e não uma ética. Moralidade não plural, pois dotada de uma metafísica específica, que limitando as qualidades do universo, limita o potencial de diversidade de qualidades que o universo humano é capaz de produzir. A isso, soma-se a cristianização da filosofia espírita, tornada lei do corpo, como limite moral do aceitável em termos de posicionamentos existenciais.
    Seria mais interessante, a meu ver, que os intelectuais espíritas se dedicassem a explicitar os matizes do movimento que pretendem executar ao efetuar estas críticas aos espiritualistas, para avaliarmos a pertinência, a necessidade, as motivações e suas possíveis conseqüências, por um lado. E por outro, explicitar o teor da relação que pretendem estabelecer com as demais ciências, sua finalidade, necessidade, motivação e possíveis conseqüências.
    Acredito que isso seria mais frutífero em termos programáticos, do que ficar buscando elaborar estratégias de respostas a um nicho muito específico, para não dizer marginal, do mundo acadêmico que traz consigo (talvez pela vontade de cientificidade) toda a vulgata que sustenta posicionamentos existências em termos de uma suposta neutralidade científica, como as literaturas agnósticas, céticas, ateístas e iconoclastas como as de divulgação científica e uma série de outras variações...

    P.S. Se possível, gostaria de um posicionamento dos senhores, pelo menos a respeito do penúltimo parágrafo.

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    1. Arturo

      Grato por seu comentário. O que sentimos falta de verdade é cientistas espíritas se dedicarem realmente ao desenvolvimento do paradigma de Kardec como ele nos legou e não ficar tentando explicar os princípios espíritas em termos de fundamentos de ciências naturais, ainda que isso represente uma tentativa de 'aproximação' como vc diz. O Espiritismo tem sim caráter científico, mas, infelizmente, pouquíssimos compreendem o real significado 'epistemológico' dessa palavra, quando se trata de aplicá-lo ao seu objeto de estudo particularíssimo, o Espírito.

      Pior ainda é ouvirmos que 'Kardec está ultrapassado' e que o 'Espiritismo precisa se atualizar' só porque um laboratório não sei onde fez uma descoberta em física quântica que espiritualistas (e espíritas exaltados) interpretam como 'comprovando' a existência de um mundo transcendente... Esse julgamento é baseado em uma visão de mundo forçada e não necessariamente científica, visão que não é compartilhada pela comunidade científica e portanto, muito frágil, que pode cair por terra a qualquer momento diante de qualquer outra novidade científica que apareça.

      O que seria 'desenvolver o paradigma de Kardec' é assunto que comporta vários posts, talvez artigos, e pretendemos fazer isso no futuro. Como, não bastam palavras, é preciso ainda que se forneçam exemplos de projetos ou propostas inovadoras para o desenvolvimento desse novo paradigma que deve ser aceito em sua totalidade para que seja desenvolvido. Mas, o que vemos são tentativas de modificá-lo 'à moda da casa' para acomodar a essa ou aquela visão espiritualista. com todo o respeito que devemos a essas visões, acreditamos que o Espiritismo pode se desenvolver de forma independente.

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    2. Ademir,

      Compreendo o desconforto que vocês sentem acerca das linhas pelas quais o espiritismo se desenvolveu e solidificou no Brasil e em outros lugares. E acredito ser completamente pertinente e justificada a postura de vocês. No entanto, penso que a forma com a qual se tem dado estas tomadas de posição deixa de explicitar sua necessidade e justificativa – além da abertura de uma proposta programática de caráter eminentemente coletivo – e passa a reduzir aspectos importantes presentes no próprio MEB.

      Reduzir, pois me parece não se tratar da proposta da criação de uma agenda de discussões que estabeleça a abertura para as diferentes formas de expressão do espiritismo no MEB e adjacências. Antes, procura desmistificar posicionamentos evitando pessoas (quando não há posicionamento sem pessoas), produzindo um doce efeito iconoclasta, nobre produto do início de qualquer programa que se pretenda científico. O que causa evidentemente rechaço aos posicionamentos apresentados por vocês.

      Essa situação me parece muito peculiar e estranha, pois inverte posições que foram barreiras externas à consolidação do espiritismo na sua proposta científica para o interior do seu campo de desenvolvimento. Obviamente meu argumento é generalista e deve haver muitas nuances históricas no meio disso tudo. Mas o que me é interessante é justamente essa transposição de posturas, sempre barreiras externas da ciência ao espiritismo, para o interior do mesmo.

      Me parece uma vez mais a adequação do espiritismo não às ciências propriamente ditas mais à epistemologia ou filosofia da ciência. Quando o estatuto do que vêm a ser ciência é amplamente discutido, discutível e mutável em termos históricos e tem inúmeras questões, não pouco controversas, de suas interações com aspectos culturais, sociais, políticos, econômicos. E, portanto, as formas de lidar com os próprios problemas internos e externos poderiam ser outras... O Porquê da escolha destas posturas e não outras seria a minha pergunta...

      Vale lembrar ainda um aspecto bem heterodoxo da doutrina que tem relação direta com a definição de ciência, o caráter de revelação. E inúmeras outras facetas de Kardec que tem relação com as condições de possibilidade da enunciação de suas próprias perguntas.

      O que penso é que a posição de vocês é uma grande encruzilhada e interessantíssima pelas reações que produzem; ortodoxos internos, heterodoxos externos, ocupam a margem dupla dos dois espaços que frequentam. Enquanto isso para todos os efeitos, o espiritismo continua sendo religião pelo mundo a fora e não cessa de ser identificado e de servir para identificar uma série de práticas rituais, religiosas e etc. e isso nem de longe parece estar perto de se reverter...

      abraço

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    3. Arturo

      Obrigado! Compreendo plenamente seu ponto e concordo com ele. De fato, apresentar tão somente uma crítica desse jeito não dá a base para se compreender a motivação que tem que ser explicada a posteriori, isso depois de muitos desentendimentos. Quando digo que é preciso propostas e não simplesmente o exercício da crítica, é que tenho em mente a ideia de que realmente é possível haver demonstrações reais de desenvolvimento científico dentro do Espiritismo. Por isso, nosso interesse em desenvolver o projeto de análise de conteúdo de 'cartas psicografadas'. Isso realmente é um assunto que terá um grande futuro e que poderá ser projetado num contexto totalmente acadêmico - sem obrigação para tal - num tema que é totalmente aderente aos princípios espíritas.

      Nem de longe passa pela minha cabeça a menor pretensão de modificar nada no MEB... Na verdade, sentimos apenas a necessidade de esclarecer e dizer que o Espiritismo não precisa de muito mais além do que ele já contém em seus princípios. Mas, para desenvolver cientificamente esses princípios, não basta querer, é preciso ter competência. Ao invés disso, aspiram a sua suposta atualização...

      No final das contas, acho que todos concordamos com a frase do eminente cientista psíquico F. W. Myers: "O que interessa não são as crenças..., mas a grande realidade que transcende."

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  7. Muito boa a crítica! Parabéns!

    Alexandre, como você entende a natureza do perispírito? Ela seria de essência material ou não material? Se a resposta for material então você acredita que esta matéria seja formada por átomos?

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  8. Caro Vital,

    Eu entendo que a natureza do perispírito é material, já que o perispírito é feito da mesma matéria prima universal da matéria comum, o Fluido Universal, de acordo com o Espiritismo.

    Nisso, eu acredito que o perispírito possa ter uma estrutura íntima similar à atomística. Porém, além de não se dedicar a descrever o perispírito, a teoria de Hernani, com todo o respeito a ele, não é um bom exemplo de como se constroi uma teoria científica nova. Algumas das razões estão sendo analisadas e apresentadas nesta série de posts.

    Caso voce pergunta isso por acreditar que as teorias de Hernani se aplicam ao perispírito, e não à alma ou ao princípio inteligente, eu também pensei isso no começo. Porém, depois de analisar bem o texto impresso nas respectivas obras, notei que não há espaço na teoria para acomodar o ser duplo, como Kardec menciona em O Que é o Espiritismo, isto é, alma + perispírito. A teoria de Hernani, na forma como está, ou se aplicaria à constituição íntima da alma, ou do perispírito. Como ele definiu/postulou que as propriedades inteligentes da alma estão contidas nas partículas definidas por ele, então ele está modelando a alma, isto é, o ser intelingente que somos. Porém, na forma como ele fez, não há espaço para uma matéria sutil (o perispírito) que "envolvesse" a alma, já que as partículas do modelo são ditas interagirem diretamente com a matéria. E vice-versa: se a teoria dele for aplicada aos fluidos espirituais e o perispírito, então não há espaço para o princípio inteligente, pois que as propriedades de inteligência e percepção foram definidas serem das partículas fluídicas.

    Não há nada na Física ou na Ciência que obrigue objetos de natureza distinta da matéria, como o princípio inteligente, tenham que satisfazer as mesmas características que a matéria usual e conhecida. Como dizia Kardec, os fatos são o que determinam para nós a validade de uma hipótese. Por isso, tirando os pontos contraditórios da teoria, que podem ser reformulados pelos interessados, os pontos fundamentais só poderão ter algum valor mais sólido como resultado científico no dia que for possível obter resultados experimentais ou observacionais dos mesmos. Então isso é um ponto da análise crítica importante. Outros pontos são descritos nos próximos posts.

    Obrigado e um abraço,
    Alexandre

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    1. Vital,

      Só mais um detalhe. Em algumas partes da obra, Hernani propõe que o duplo etérico seria o campo magnético ou biomagnético gerado pelas partículas psi e materiais. Como ele define o espírito como sendo formado por partículas e, em Psi Quântico, até analisa a massa e a densidade do espírito (em gramas por centímetro cúbico), então a teoria implica que o duplo etérico é um elemento mais sutil que o próprio espírito, já que campos eletromagnéticos não tem massa. Logo, isso é incoerente com os princípios espíritas.

      Um abraço,
      Alexandre

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    2. Oi, Alexandre!

      Eu li recentemente "Teoria Corpuscular do Espírito" e compreendi que Hernani elaborou sua teoria para o corpo do espírito, que na terminologia kardeciana chama-se perispírito. Por alguma vezes, Hernani fala em princípio inteligente (ou espiritual) que seria o espírito (com 'e' minúsculo) da terminologia kardeciana. Veja os trechos:

      "A manifestação do espírito caracteriza-se sobretudo pelas respostas inteligentes aos estímulos externos e pela capacidade de pensar, ainda que elementaríssima, cujo resultado é subtrair a matéria vivificada, à cega obediência às leis do acaso. A vida manifesta impulsos coordenados e tem capacidade de organizar-se em conseqüência do princípio inteligente que a anima. Tal princípio acha-se localizado no núcleo dos elementos-espírito."

      "O problema aclara-se um pouco, quando admitimos o princípio espiritual em nossos raciocínios. Todavia, repetimo-lo mais uma vez, não se trata do Espírito onipotente que se dedique a criar milagres. Trata-se do espírito como um comparsa da matéria no desenrolar do drama da vida, a ela associado intimamente, influindo-se mutuamente e evoluindo sistematicamente para formas cada vez mais perfeitas e mais sublimadas."

      "Não pretendemos sugerir que este princípio inteligente intervém ostensivamente no campo de operação das leis da matéria, substituindo-as ou contrariando-as. Apenas consideramos que tal princípio usa as leis da matéria, impondo, em certas circunstâncias, um determinismo, uma orientação, onde as leis do acaso deixam margem à ação de um arbítrio inteligente. E a sua manifestação se faz no sentido de pôr ordem no caos, determinando um plano de ação com finalidades bem delineadas."

      Percebe-se, assim, que Hernani admitia esta outra natureza diversa da matéria embora ele não tenha se alongado em sua discussão. Afinal, sua proposta era criar um modelo para o corpo espiritual e não se embrenhar em discussões filosóficas sobre a natureza divina.

      Abraço!

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    3. Olá Vital,

      Concordo contigo que Hernani parece admitir uma outra natureza diversa da matéria. E concordo que a inteção dele foi boa. Pena que na época dele, não havia uma análise filosófica das características científicas do Espiritismo que temos hoje. Porém, ao atribuir as características do princípio inteligente (inteligência e vontade) a uma partícula material (ou semimaterial, ou fluídica), ele, sem querer, funde matéria e espírito numa única substância, se posso dizer assim.

      Daí, junte os problemas de Física, com os de natureza filosófica, e as discordâncias com o Espiritismo (veja os próximos posts) e daí percebemos os sérios problemas da teoria.

      Obrigado pelos comentários! Analise, por favor, os próximos posts.
      Um abraço,
      Alexandre

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  9. Ótima discussão.
    O objetivo de toda teoria bem fundamentada é ser refutada ou confirmada e até mesmo atualizada com o passar do tempo.Levantar realmente uma grande discusão,no bom sentido do termo.Se não fosse assim,não seria uma teoria.Vide o exemplo de Darwin.
    É disso que a Ciencia vive.Acho que nesse caso, o professor Hernani foi humildemente bem sucedido.Não era do objetivo dele criar um paradigma pronto,e sim,levantar a pergunta:E se...

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