2 de abril de 2016

Ruprecht Schulz: estranho caso de uma suposta "reencarnação"

Seria isto um porco voador?
Pesquisas em reencarnação são ainda consideradas "temas tabus" entre as linhas acadêmicas, justamente por implicarem em algo que não está de acordo com o consenso geral sobre o ser humano e sua existência no mundo, uma criatura que fatalmente morre e aparentemente desaparece. As diversas áreas da ciência não preveem nenhum objeto de estudo onde se possa incorporar o assunto "reencarnação", logo a imensa maioria dos acadêmicos torce o nariz para algo que identificam como não "científico" e que lhes parece uma ideia excêntrica.

Não se admira assim que relatos e evidências de reencarnação caiam na categoria de "anomalias". Mas, não é uma tarefa simples separar o "joio do trigo" em se tratando de qualquer anomalia, o que se aplica obviamente à reencarnação.  Há casos descritos como anomalias que são prejudiciais a própria tese, por se apresentarem como "anomalias dentro de anomalias". Naturalmente, essas ocorrência animam céticos que rapidamente "throw the baby out with the bathwater" (1) e invalidam toda a tese com base em alguns casos mais que suspeitos.

Evidências sobre reencarnação como anomalia têm origem em duas fontes principais: i) informes de crianças que se lembram de vidas anteriores e ii) relatos de memórias via regressão hipnótica. Se o primeiro caso é considerado bastante forte pelo caráter "acima de qualquer suspeita" dos relatos infantis, o mesmo não se pode dizer do segundo, onde a total inexistência de uma "teoria da mente" dificulta separar lembranças de sonhos de eventuais memórias anteriores, inviabilizando a aceitação das descrições. Além disso, ocasionalmente, existem relatos excepcionais de adultos que dizem se recordar de vidas anteriores mesmo em estado de vigília, isto é, sem nenhum apelo ao hipnotismo ou sonhos.

Tudo isso indica que é preciso redobrado cuidado por parte daqueles que pretendem "provar" a tese da reencarnação - ou extrair regras para seu mecanismo - com base na busca exaustiva e empilhamento sistemático de casos. Em particular, salta aos olhos a necessidade de se estabelecer métodos de pesquisa apropriados, de examinar se os dados obtidos são confiáveis e sobre a consistência metodológica aplicada à pesquisa. Mais ainda, partindo-se de uma contexto ateórico (ou seja, sem a orientação de uma teoria), é provável que evidências sejam mal interpretadas, uma vez que já se mostrou há muito que uma evidência é contaminada pela visão que se tem de seu contexto (2).

O cenário é bastante complicado porque, como dissemos, inexiste uma "teoria da mente" que permita estabelecer claramente as origens e as consequências para eventos mentais com base em evidências colhidas de memórias de longo prazo sequer dentro de uma existência, quem dirá entre existências.

O caso Ruprecht Schulz (RS)

Os pesquisadores de reencarnação mais conhecidos na atualidade são I. Stevenson (1918-2007) e Jim Tucker (ver nosso post sobre ele aqui). Entre as inúmeras evidências estudadas por Stevenson, o livro "Casos Europeus" (3) descreve ocorrências tiradas de relatos não orientais, numa tentativa por Stevenson de mostrar que a reencarnação é um fenômeno "universal" (4).

Em particular, nessa obra existe um caso que exorbita dos relatos quase uniformes de crianças que se lembram de vidas anteriores. Trata-se do "caso Ruprecht Schulz" (ver também 5) que está longamente descrito no livro. Aqui apresentamos um resumo por simplicidade e destacamos os prontos problemáticos do caso.
Ruprecht Schulz, nascido em Berlim, a 19/10/1887, comerciante, declarou a I. Stevenson, em entrevista feita em agosto de 1960, ter tido memórias (ver abaixo) de uma vida pregressa por volta do início da década de 1940 (início da II Guerra Mundial). Nessa descrição, via-se como um rico comerciante, ligado a atividades portuárias, que cometeu suicídio. A força dessas lembranças fez RS escrever a diversas cidades portuárias da Alemanha, a partir de julho de 1952. Uma resposta veio da cidade de Wilhelmshaven afirmando ter sido palco do suicídio de um tal Helmut Kohler (HK), corretor marítimo, em 23/11/1887. Segundo informações colidas por RS com parentes de HK, este teria se suicidado depois de se ver em condições econômicas difíceis e de ter sido roubado por um funcionário mais próximo que fugiu para os Estados Unidos. 
As informações tabuladas por Stevenson nas páginas 272-274 de (3) são parte de um relatório construído parcialmente com as informações que RS conseguiu de Wilhelmshaven, quando ele já estava com mais de 50 anos de idade. O que chama a atenção no caso RS é a inconsistência entre a data do suicídio de HK e o nascimento de RS, indicando uma aparente violação da relação "causa efeito" - a personalidade anterior ainda estava encarnada quando seu novo corpo já vivia em outro lugar.

Natureza peculiar das "memórias" de RS.

Longe do problema das datas, o que mais me chamou a atenção no caso RS é o caráter muito especial de suas memórias. O que se espera de alguém que se lembre de sua vida passada? Que suas memórias - se se referem realmente a algo experimentado - acompanhem o sujeito e não dependam de onde ele se encontra. Mas isso não aconteceu com RS.

Antes, porém, consideremos como RS descreve suas "memórias". Na p. 266, no final de sua descrição de como teria se vestido e se matado ele afirma:
"Podem chamar essas imagens de clarividência, mas para mim elas são lembranças". (grifos nossos)
RS parece confundir lembranças com visão de imagens pois, no meio da descrição declara:
"O sentimento foi ficando mais forte e então - não em um transe ou estado de sono - como algo quase visível aos olhos, pude me observar como eu naquela época." (grifos meus)
Tomando com base que ele não tenha inventado nada, sua descrição aparentemente em terceira pessoa não deixa dúvidas que ele teve uma "visão". E mais ainda, essa visão apenas ocorria se ele estivesse em contato com determinado ambiente. Conforme atestam as anotações de I. Stevenson sobre as memórias de RS, em 2 de maio de 1964 (p. 266 e 267):
"Ele nunca as tinha a não ser quando estava no escritório durante o seu turno aos domingos. Estava completamente acordado nessas vezes. Ele experimentou novamente as emoções da situação lembrada e viu as lembranças como uma imagem interior, não como uma visão projetada." (Grifos meus)
Depois enfatizar que RS não estaria em um estado "alterado" de consciência, Stevenson parece ter "reinterpretado" a descrição ao anotar que o sujeito "via lembranças como uma imagem interior" (admitindo nenhum erro de tradução em relação ao original). Esse ponto é de fundamental importância, pois fica clara aqui o papel das ideias preconcebidas do pesquisador. Por que é importante afirmar que RS teve as "lembranças" em estado de vigília? A razão é simples: Stevenson (e provavelmente RS) acreditava que lembranças comuns só podem ocorrer se o sujeito não estiver em "estado alterado de consciência" (leia-se, "mediunidade" ou "hipnotismo").

Mas seria esse o caso? O Espiritismo abre um leque grande de possibilidades. Primeiro porque não se pode afirmar absolutamente o caráter "normal" da consciência de RS uma vez excitada por certos detalhes do ambiente.  Ao contrário, o fato do "fenômeno" apenas ocorrer quando em contato com certo objetos, cria fortemente a impressão de mudança desse estado. Depois porque acessar as lembranças como algo "quase visível aos olhos" permite inúmeras interpretações dentro da fenomenologia mediúnica. Finalmente, a exigência de "estado alterado" não é condição sequer necessária para a mediunidade ou "obtenção de informação anômala". Em "O Livro dos Médiuns", II Parte, Capítulo 15, Parágrafo 182, "Médiuns inspirados", podemos ler:
Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último gênero. (grifos nossos)
São registradas descrições de "sensitivos", com variados graus de faculdade, que podem "ver imagens" ao contato com objetos, inclusive tendo sensações relacionadas aos envolvidos na "cena" (o que implica em algum grau de "psicometria"). Contra isso seria possível antepor o argumento de que RS não era médium ou não teria manifestado nenhum tipo de mediunidade em sua vida (o que também é avançado por Stevenson). Mas isso se fundamenta exclusivamente na palavra do sujeito como o próprio Stevenson reconhece (ver abaixo). Ou de outra forma, é possível que RS tivesse tido outras experiências "anômalas" em sua vida, mas deixou-se influenciar por aquela que mais lhe atraiu dentro de sua crença em reencarnação.

De qualquer forma, estamos diante de um problema metodológico que depende da existência de outra teoria sobre memórias e visões. Stevenson desprezou certos detalhes que a ele não pareciam relevantes, mas que, na verdade, são cruciais para determina a "origem" das informações.

Inconsistências em algumas afirmações

Parece que Stevenson deixou de considerar a consistência entre os relatos dispersos como declarados por RS. Por exemplo, na p. 265 de (3, edição em Português), podemos ler a declaração dada por RS a Stevenson em 1960:
"As memórias começaram a surgir para mim na época dos ataques de bombardeios em Berlim durante a guerra."
De acordo com Stevenson, RS cita a data de 1942, quando ele estaria com mais de 50 anos. Porém, na p. 268 da mesma referência, há a citação de uma carta de RS ao filho de Kohler (datada de 1952), dizendo que suas lembranças começaram na infância, "desde muito novo". Qual das versões corresponde ao que teria acontecido?

Com relação às memórias alegadamente atribuídas à infância, elas podem ter sido criadas à posteriori, depois que RS se convenceu que era mesmo a reencarnação de HK. Por exemplo, sobre a cidade de sua alegada desencarnação, RS afirma na carta "me pareceu mais tarde e mais claramente, que essa cidade era Wilhelmshaven" (ainda na p. 268). Só que, segundo Stevenson (conforme está na p. 263), ele apenas tivera a impressão de que sua suposta vida anterior teria sido em "uma pequena cidade portuária", tendo escrito para várias cidades (existiam poucas "pequenas cidades portuárias" na Alemanha no final do Século XIX, e teria sido óbvio incluir Wilhelmshaven). De qualquer forma, o caso RS, no quesito "memória", é muito diferente se comparado a outros estudados por Stevenson.
Wilhelmshaven, cidade da suposta vida anterior de RS. Nela, RS afirmou ter "reconhecido" prédios (de sua vida no Séc. XIX), mesmo tendo sido destruída na II Guerra Mundial. 
Outra afirmações de RS aceitas sem contestação por Stevenson é o "reconhecimento" de prédios em Wilhemlshaven:
Em outubro de 1956, Ruprecht e Emma Schulz foram até Wilhelmshaven, onde se encontraram com Ludwig Kohler. A cidade tinha sido muito danificada pelos bombardeios durante a então recente guerra. Ruprect acreditou reconhecer a Prefeitura e um antigo arco. 
Sem que se garanta que as construções "reconhecidas" por RS tenham sido reconstruídas, é difícil acreditar que isso pudesse acontecer com um cenário que foi destruído com a guerra. Com relação ao seu comportamento "ex suicida" de infância, o caso se contamina pela ausência de "comprovações" (como Stevenson tipicamente insiste em outros casos) por parte de terceiros já que, segundo o pesquisador (p. 277):
"Ruprecht permanece quase que totalmente o único informante das declarações antes de elas serem confirmadas" (grifos nossos).   
O problema da quebra da relação "causa-efeito"

No nosso entendimento, o problema teórico mais grave levantado pelo caso RS é a aparente quebra de causalidade no relaxamento da relação entre Espírito e seu corpo por uma questão de problema de data. Vê-se que essas extrapolações levam a imaginar que um Espírito possa reencarnar nos moldes de uma "possessão", depois que seu outro corpo já esteja formado e vivo.  Existem três caminhos ilógicos possíveis :
  1. Aceitar isso como uma possibilidade "de fato", o que implica em acreditar em que até o momento da "possessão", o corpo existente tenha vida meramente material ou;
  2. Imaginar algum cenário mais exótico (e, por isso, esdrúxulo) de "quebra de causalidade" (tipo "viagem no tempo"). Incluo essa consideração aqui, pois acho difícil que alguém não tente "salvar as aparências" com explicações desse tipo.
  3. "Divisão do Espírito" (conforme se acredita na ref. 5). Durante as cinco semanas que separam o nascimento de RS e a desencarnação de HK, o Espírito de HK estaria ao mesmo tempo reencarnado em dois corpos (!)
Então, o preço a se pagar por aceitar o caso RS como reencarnação é relaxar a coerência e lógica da ideia das vidas sucessivas, com prejuízo grande para toda a tese e reforço considerável das explicações céticas. Seria realmente esse o caso?

Nossas conclusões
  1. Tão só com base nos relatos levantados por I. Stevenson, não é possível afirmar a identificação de HK como a reencarnação anterior de RS;
  2. Isso é, de fato, manifestado por Stevenson, que classifica seus casos como "sugestivos", dentro de sua prudência acadêmica;
  3. Ao contrário, a impressão que temos é de 'algo faltando' no caso, possivelmente associado às alegadas "memórias" de RS que mais se parecem com "visões";
  4. O maior problema do caso RS é a caracterização de suas "memórias". Por dependerem de um "lugar" e "horário", é provável que estejam associadas à informação externa que lhe foi passada por outro agente "psíquico";
  5. É provável que o caso RS tenha sido interpretado forçadamente por Stevenson como de reencarnação. Stevenson chega a falar em um dos mais "fortes" que investigou, a despeito da marcante diferença na maneira como as "evidências" foram obtidas, na inconsistência nas datas e do tipo de relato feito por RS; 
  6. Por que Stevenson teria feito isso? Aventamos a hipótese de que ele não quisesse descartar - segundo sua abordagem - casos europeus, que se mostraram escassos frente aos orientais. A busca por tais casos era uma questão "de honra" para Stevenson, que enfrentou heroicamente ataques do ceticismo. Ou, de outra forma, é provável que, no contexto oriental, algo parecido ao caso RS tivesse sido facilmente descartado por Stevenson;
  7. A data de nascimento do suposto reencarnante é anterior à desencarnação da personalidade pregressa. Isso constitui uma contradição à lei de causa e efeito e cria uma anomalia dentro de outra que é facilmente explorada (com razão) por céticos;
  8. Por uma questão de consistência com todos os outros casos e como resultado lógico da "conservação" da personalidade em outro corpo, não faz sentido sustentar uma "hipótese ad-hoc" (6) que permita ao Espírito desencarnar tempo depois que seu "corpo físico" esteja vivo ou coisa ainda mais fantástica. Stevenson não se preocupou muito com essas consequências e isso faz eco com outras críticas (céticas) às conclusões de Stevenson;
  9.  A "força" desse caso é maior para crentes que colocam fatos mal interpretados acima da importância da teoria e sua consistência interna;
  10. A suposto reencarnante não teve sequelas do suicídio: indiretamente isso cria um problema na aceitação do método de Stevenson porque ele mesmo descreve casos em que mínimas marcas de nascença seriam provocadas por agressões físicas no corpo do indivíduo no instante da morte. Stevenson considera a existência dessas marcas importantes sinais de validação de seu método. Se uma agressão compulsória pode deixar uma marca, como é possível um caso em que o suposto reencarnante tenha se matado com um tiro na cabeça e não tenha nenhuma marca, mas apenas lembranças que se parecem com "visões"? 
  11. Uma vez aceito o caso RS, resta evidente questionar todos os outros em que marcas de nascença são observadas, já que, se inexiste relação "causa-efeito" em apenas um caso, fica fácil desqualificar essa necessidade nos outros;
  12. Outras causas podem ter sido responsáveis pelas "visões" alegadas por RS e associadas a suas lembranças posteriormente.  Com a confirmação dessas visões, RS conseguiu levantar uma personalidade equivalente em sua busca obsessiva (quiça impulsionada por essas causas), que deu origem a todas as outras "evidências" que Stevenson ressalta a apoiar o caso;
  13. O caso RS ressalta a importância de uma teoria que integre tanto informações de fatos históricos associados a existências anteriores como memórias em diversos estados da consciência. A pesquisa da reencarnação não terá êxito se desacompanhada de considerações sobre a fenomenologia psíquica, que representa outra fonte para a aquisição "anômala" de informação.
Referências

(1)  "Jogam o bebê fora junto com a água do banho".

(2) Fácil entender isso. Para um cético, alguém que afirme ter uma vida anterior será interpretado como doente mental, seus sonhos como criações da fantasia etc. Como se vê neste post, a interpretação de qualquer relato como "prova" de vida anterior não considera a possibilidade da informação anômala ter sido obtida por outras vias psíquicas, que não a da memória propriamente dita. Isso só é possível se se dispuser de uma teoria abrangente, que permita separar os fatos em categorias que devem ser, elas próprias, previstas na teoria.

(3) Stevenson, I. (2003). European cases of the reincarnation type. McFarland. No Brasil, há uma edição traduzida desse livro com o título "Casos Europeus de Reencarnação". Ed. Vida e Consciência. 1a, Edição, 2010. No que é citado neste post, seguimos a versão em Português.

(4) Uma das críticas levantadas contra a ideia de reencarnação com base em evidência de fatos é o número muito grande de casos (de crianças) em países que aceitam tacitamente a noção como a Índia. Críticos levantaram a hipótese de uma raiz "cultural" para o fenômeno, o que reduziria sua importância como evidência.


(6) Uma "hipótese ad-hoc" é uma explicação criada com um determinado objetivo. No caso aqui, aceitar a possibilidade de que o Espírito possa ter um corpo em outro lugar enquanto ainda não desencarnado é uma explicação criada para "salvar as aparências" ou acomodar os dados disponíveis com a tese principal.  O que supostamente dizem "os fatos", interpretados de acordo com determinados pressupostos e sob risco de falhas (erro de data, falsas memórias etc), é salvo pela adoção da hipótese.


15 comentários:

  1. No tópico "O problema da quebra da relação "causa-efeito" você esqueceu duas possibilidades:

    a) a possibilidade que um espírito "ceda" (temporariamente ou definitivamente) o corpo para outro. Isto é, em determinado momento o espírito deixa o corpo para que outro espírito tome posse dele.

    b) a possibilidade de que dois (ou até mais) espíritos compartilhariam o mesmo corpo.

    Sobre as marcas de nascença, a ocorrência delas dependeria do grau de sugestionabilidade do sujeito para a ocorrência delas. Nem todos os sujeitos de Stevenson que tiveram uma morte violenta na vida anterior exibem marcas ou defeitos de nascença por isso, assim como nem todas as pessoas são hipnotizáveis. A ocorrência de marcas dependeria de fatores psicológicos que facilitariam sua eclosão. Não sabemos se esse era o caso de Ruprecht Schulz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tens razao, ha muitas outras possibilidades....o Espirito, p.ex, poderia,na segunda vida viajar para tras no tempo e terminar de viver a primeira existencia.... e se 2 Espiritos podem ocupar o mesmo corpo, porque nao 3 ou 19... Acho que da para ver que sao todas explicacoes ad hoc, a inapropriedade das quais eu comentei no meu post. Nao eh de admirar entao o riso e o deboche que os crentes em reecarnacao estao submetidos quando se levam a serio essas explicacoes esdruxulas, porque se considera os dados acima de qualquer suspeita...quanto a sua explicacao sobre as marcas de nascenca, nao da para aceitar tb porque dependem de "fatores psicologicos" , de novo como invencoes ad hoc para se evitar o questionamento dos dados....

      Excluir
    2. Oi, Ademir
      o espírito cedendo lugar a outro foi bem provavelmente o que aconteceu no caso de Jasbir, retratado em "Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação". Se não leu ainda, recomendo que leia. Sobre você considerar a explicação das marcas de nascença "ad hoc", de fato é, mas isso não é motivo para descartá-la. Diversas provas, especialmente quando lidamos com organismos vivos, só são obtidas por meios estatísticos, e isso é bem evidente na Farmacologia, Medicina e diversos outros campos. Existe variabilidade suficiente entre os organismos de forma que o mesmo procedimento realizado em dois sujeitos de teste tão idênticos quanto possível não seja esperado fornecer exatamente o mesmo resultado. Se dois ratos virtualmente idênticos são tratados com o mesmo agente cancerígeno, não se espera que eles desenvolvam o mesmo tumor, no mesmo local, ao mesmo tempo.

      Excluir
    3. Essa analogia com sistemas biológicos é injustificável do ponto de vista epistêmico, primeiro porque questões em farmacologia e medicina são reconhecidamente multi-causais e a influência de fatores aleatórios é bem compreendida e até esperada - existem muitas vias possíveis, plenamente conhecidas. No caso em questão, inexiste qualquer razão para se sustentar qualquer tipo de explicação para "salvar a aparência dos dados" porque seguer o agente causal, o Espírito, é considerado como uma causa. Por outro lado, epistemologicamente falando, Tycho Brahe tb mostrou que a Terra era imóvel porque seus dados mostraram definitivamente e sem dúvida que não havia paralaxe das estrelas, era o mais 'óbvio' na época, mas estava errado porque suas medidas eram deficientes e ninguém na epoca tinha competência para mostrar isso. Sua posição aqui é idêntica e mostra uma bastante entusiasmo por dados que ainda precisam de validação metodológica. Depois, eu pergunto, se dois espíritos podem estranhamento compartilhar o mesmo corpo, porque não 3, 19 ou 50? A única conclusão sensata aqui é a que avancei e não há razões para se sustenta essa 'explosão' de hipóteses adhoc que, repito, causa mais mal do que bem à ideia da reencarnação.

      Excluir
  2. Ademir, você diz que "inexiste qualquer razão", mas Stevenson apresente evidência empírica de que certas pessoas conseguem produzir marcas na própria pele por um fenômeno psicofísico, um exemplo foi Olga Kahl. Outras pessoas também produziram marcas na pele por meio da hipnose, apenas por acreditarem estar sendo feridas. Também há o fenômeno de stigmata (para um exemplo, acesse https://app.box.com/s/vibg5ovzik94r5652e9zgatnn5rt1h0f) Assim, há razão empírica para acreditar que o aparecimento das marcas depende de fatores psicológicos. Stevenson diz que apenas 35% dos seus casos envolvem marcas ou defeitos de nascença.

    Sobre se dois ou mais espíritos podem compartilhar o mesmo corpo, talvez sim. Um caso específico relatado no livro de Penrose (A Mente Nova do Rei) diz: "Num experimento mais recente, de considerável interesse, Donald Wilson e seus colaboradores (Wilson et al. 1977; Gazzaniga, LeDoux e Wilson 1977) examinaram um paciente com os cérebros separados, chamado 'P.S.'. Depois da operação de separação, apenas o hemisfério esquerdo podia falar; mas ambos podiam entender a fala; mais tarde, o hemisfério direito aprendeu também a falar! Evidentemente, ambos eram conscientes. Além disso, pareciam ser conscientes separadamente porque tinham gostos e desejos diferentes. Por exemplo, o hemisfério esquerdo disse que seu desejo era ser desenhista; o direito, piloto de corridas!"

    Não poderíamos interpretar tais dados como dois espíritos habitando o mesmo corpo?

    Essa operação que o paciente sofreu é o seccionamento do corpo caloso, e sua condição é descrita em inglês como "split-brain". Carl Sagan já falava sobre tais operações, e seus bizarros efeitos, em Os Dragões do Eden (1977). Os artigos citados por Penrose são:

    Wilson DH, Reeves A, Gazzaniga M, Culver C.
    Cerebral commissurotomy for control of intractable seizures.
    Neurology. 1977 Aug;27(8):708-15.

    Gazzaniga MS, LeDoux JE, Wilson DH.
    Language, praxis, and the right hemisphere: clues to some mechanisms of consciousness.
    Neurology. 1977 Dec;27(12):1144-7.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Terrible: Grato pelo envio das referências. O meu 'não existe qualquer razão' é pertinente sim, porque NÃO EXISTE uma teoria satisfatória para a mente. Por causa disso, reitero que é um erro defender hipóteses adhoc para ajustar dados e essa pe a razão do estado atual da pesquisa em parapsicologia. Explico.

      O próprio exemplo que vc deu - muito bom por sinal - de 'splitted brain'. Não há porque confundir uma manifestação da mente com a própria mente, isso é confundir causa com efeito. Só porque os dois hemisférios foram divididos e o sujeito reporta ter desejos diferentes nada prova que a causa deixe de ser uma e somente uma. Isso parece assim para quem adota uma visão 'behaviorista' da mente. De uma olhada nessa teoria, existem discussões que já mostraram ter implicações de circularidade. De fato, querer explicar a essência pelo comportamento é um problema porque exige a existência de uma correspondência entre o comportamento e o estado mental, o que não acontece admitida a hipótese de fingimento. Se o indivíduo finge sentir algo, está bem claro que seu estado mental não pode ser inferido de seu comportamento, o que expõe abertamente os problemas dessa visão.

      Da mesma forma, com a evolução natural da personalidade, o fato de eu mudar de desejos, tendências, interesses etc ao longo da minha vida, não se deve a diversos 'eus' dentro de mim que se alteram. O meu 'eu' é uno, integral e indivisível, apenas mudou o seu foco de interesse ao longo do tempo, que se manifesta no nível consciente como uma aparente mudança de desejo (que é descrita em primeira pessoa, alias). Está ai um problema aberto em teoria da mente.

      Veja que interessante: nem mesmo a memória é um 'requisito essencial' para se individualizar o espírito (o que remete a outra teoria de identidade mental). O espírito, ao reencarnar, continua uno, mas esquece tudo.

      Com relação aos Stigmata, não duvido que ocorram, só não sei o que isso tem a ver com marcas de nascença entre vidas sucessivas. Acho que é uma extrapolação querer explicar um fenômeno por outro, que provavelmente tem causas diferentes. Não há nenhuma razão em se usar uma fenômeno para explicar outro, mas apenas uma similitude fenomenológica. Isso não contribui para elucidar a questão, não te parece?

      A questão da unicidade da consciência é um tema não resolvido reconhecidamente em filosofia da mente. Acho que vc deve conhecer a famosa crítica de Kant a 'multiplicidade de espíritos', critica endereçada ao dualismo Cartesiano. Isso tem um paralelo certo na pergunta que fiz admitida a sua proposta de mais de um espírito 'habitando' um mesmo corpo. Como sabemos se são 2, 19 ou 50? Não tem como saber admitindo o puro dualismo e certamente um cético vai se lembrar dessa crítica Kantiana de forma bem fácil.

      Excluir
  3. Caro Terrible, continuando o debate...

    O ponto fundamental é este: o espírito ou mente dispõe de 'estados mentais' que são inacessíveis à observação. Todos os relatos são em 1a pessoa. Ao se propor, com base em evidências colhidas ao acaso e com base em relatos em terceira pessoa, pretende-se inferir coisas sobre o estado mental. Mas o que caracteriza esse estado?

    Para fazer isso é preciso uma teoria da mente. Aqui é preciso estabelecer referenciais teóricos que permitam integrar o comportamento, p. ex., com o estado (que sempre continua inacessível). Esse estado é caracterizado por diversas 'categorias mentais': sensações, cognições (p.ex., memórias), emoções. percepções, estados de quase-percepção (sonhos), estados conativos (intenções), além de estados 'anômalos' que não são reconhecidos pelo mainstream, mas que sabemos existir.

    Não me parece ser uma coisa fácil querer integrar essas categorias com base em extrapolações apenas de anomalias. O que seria certo cientificamente? Seria dispor de uma teoria que explicasse os estados mentais de forma satisfatória para os fenômenos ordinários e se usasse as anomalias para determinar limites e vínculos a possíveis versões de teorias mais sofisticadas.

    Acontece que não dispomos SEQUER de uma teoria satisfatória que explique o ordinário. Dai a descrença e a inutilidade em se querer extrapolar, com base nas anomalias, nosso conhecimento ainda precário do funcionamento da mente. Uma prova da situação são as inúmeras críticas e contracríticas que existem para várias teorias da mente propostas que podem ser resumidas em: dualismo (o maior problema: o de 'contar almas' de Kant), a teoria da identidade mente-cérebro, o behaviorismo analítico, o funcionalismo e o monismo não redutivo.

    De nada adianta querer impor hipóteses adhoc se não se dispõem de respostas para problemas já bem velhos em teoria da mente como a questão da multiplicidade de mentes, o problema dos qualia, o problema da identidade pessoal etc. Se se pretende fazer ciência de verdade, explicações muito abrangentes e respostas a esses problemas devem ser dados de forma satisfatória.

    Lembro ainda que, em ciência, uma teoria tem valor não porque ela 'explica tudo'. De fato, nada é mais fácil do que arranjar uma explicação para um fenômeno. Existem, p. ex., 10 teorias diferentes que explicam muito bem a precessão do planeta mercúrio, mas somente acreditamos em uma, a relatividade geral. Por que? A razão fundamental é que a relatividade da uma 'visão de mundo ' as coisas e não apenas 'uma explicação' para um fenômeno.

    Entendo que o Espiritismo tb fornece uma 'visão de mundo' que explica diversos outros fenômenos. Ele tem falhas? Sim, mas isso se espera de qualquer visão de mundo que explique alguma coisa. Uma teoria que 'explique tudo' sem falhas aparentes é tão geral ou adhoc que não tem valor preditivo. Não estamos a procura de explicar tudo, mas de explicar bem aquilo que temos competência para explicar, guardadas e observadas as nossas limitações. Por isso insisto que é importante considerar o método: até que ponto podemos acreditar 'piamente' nas evidências levantadas por pesquisadores que não tem uma visão de mundo satisfatória daquilo que pretendem estudar? Acho que muito pouco.

    ResponderExcluir
  4. Oi, Ademir

    analogias a efeitos físicos conhecidos podem ser úteis em considerar os processos atrás de interação mente-matéria, e assim podem ser úteis na construção de uma teoria. Uma coisa que torna muito difícil a formação de uma teoria completa de interação mente-matéria e outros efeitos de psi é que que os efeitos são complexos, necessitando uma abordagem multidisciplinar para desenvolver uma teoria adequada. O próprio termo "interação mente-matéria" por si só claramente ilustra isto, sugerindo que contribuições tanto da psicologia (para mente, psycho) e física (para matéria, kinesis, ou movimento) seriam necessários, embora pareça que muitos cientistas da corrente principal só esperam explicações de um ou de outro. Você diz que achar "uma extrapolação querer explicar um fenômeno por outro, que provavelmente tem causas diferentes". Eu discordo. Não creio que tenha causas diferentes, apenas momentos diferentes. Tucker demonstra um raciocínio muito bom expondo seu ponto de vista. Como a situação é longa, dividirei em várias postagens:

    Podemos muito bem estranhar, ainda que acreditemos em reencarnação, como o ferimento de um corpo reaparece em outro. Talvez entendamos por que isso é possível se examinarmos as pesquisas sobre a inter-relação dos problemas psicológicos e físicos. Para começar, alguns estudos mostraram que fatores mentais podem produzir mudanças generalizadas no corpo. Por exemplo, o stress contribui para a doença porque promove alterações hormonais e nervosas que fazem o sistema imunológico reagir menos às infecções. De igual modo, provou-se que a desesperança aumenta o risco de ataque cardíaco ou câncer. O que é menos aceito e absolutamente não-compreendido é a idéia de que imagens mentais individuais possam acionar mudanças bastante específicas no corpo — e é isso mesmo que precisamos considerar a fim de atribuir algum sentido aos casos de marca de nascença.

    O Dr. Stevenson oferece sérias evidências no início de Reincarnation and Biology. Começa pelos estigmas. Trata-se feridas epidérmicas que pessoas em geral muito devotas desenvolvem e lembram as chagas da crucificação de Cristo conforme descritas na Bíblia. São Francisco de Assis talvez tenha sido o primeiro estigmatizado e, desde a sua época, mais de 350 casos foram reunidos. A princípio, esses casos eram considerados milagres, mas a verdade é que apareciam em pessoas que não podiam ser descritas como santas. Ocorriam freqüentemente quando o devoto se entregava a práticas religiosas muito intensas e acabaram por ser classificados como casos de origem psicossomática. Embora alguns casos de fraude tenham sido expostos — pessoas que intencionalmente “fabricavam” as feridas, usando produtos químicos corrosivos ou até tinta —, documentaram-se outros dos quais podemos com razão eliminar a possibilidade de chagas artificialmente induzidas. Assim, a imagem mental das chagas de Cristo, na cabeça de uma pessoa particularmente suscetível, pode promover na pele alterações específicas que reproduzem a imagem.

    ResponderExcluir
  5. Outro exemplo de mudanças no corpo geradas pela mente são as produzidas em indivíduos sob hipnose. Como observa o Dr. Stevenson, mostrou-se que a sugestão hipnótica é capaz de gerar, por exemplo, não apenas a sensação de sede, mas também distúrbos renais típicos da desidratação, descompasso no ritmo cardíaco, controle de hemorragias, desarranjos do ciclo menstrual e até hipertrofia dos seios.

    Afora isso, sabe-se de inúmeros casos nos quais os hipnotizadores suscitam bolhas nos sujeitos dizendo-lhes que estão sendo queimados e depois tocando-os com um objeto frio, como a ponta de um dedo. Em alguns casos, os hipnotizadores usam um objeto com a forma de uma letra ou outro símbolo reconhecível e as feridas subseqüentes produzidas apresentam essa forma. Um dos casos envolve tanto estigmata quanto hipnose: um sujeito hipnotizado foi induzido a provocar feridas sangrentas nos pés e nas palmas das mãos, além de incisões triangulares na fronte que pareciam feitas por uma coroa de espinhos.

    Em outro tipo de caso, sujeitos “reviveram” experiências traumáticas com a ajuda ou da hipnose ou de drogas e depois desenvolveram manifestações cutâneas semelhantes às que haviam tido durante as experiências originais. Em um caso famoso, um homem reviveu uma situação na qual teve as mãos atadas às costas com uma corda. Apareceram-lhe ranhuras profundas nos antebraços que lembravam marcas de cordas. A ciência ortodoxa sempre teve dificuldade em determinar o mecanismo capaz de explicar esses fenômenos, e por isso preferiu ignorá-los.

    É aceitável para quase todos nós que a hipnose consiga, graças ao uso de imagens mentais, produzir pelo menos algumas alterações fisiológicas em certas pessoas. Por exemplo, quando alguém revive um acontecimento assustador sob hipnose, quase sempre o seu ritmo cardíaco se acelera. De fato, muita gente pode ter o ritmo cardíaco acelerado pela mera lembrança do acontecimento, mesmo não estando sob hipnose. Nesse caso é lícito, sem grandes problemas, pensar num mecanismo semelhante à resposta “lute ou corra” que a pessoa desenvolve frente a uma situação real de pavor ou perigo. Mas não podemos pensar num mecanismo por que uma pessoa desenvolve bolhas ao supor que está sendo queimada ou marcas de corda ao evocar um incidente no qual se viu amarrada. Vemos, entretanto, que tais casos só variam em grau daqueles nos quais alterações fisiológicas facilmente explicáveis são produzidas por estímulos mentais semelhantes.
    A questão, aqui, é: a mente consegue promover no corpo mudanças que, no estado atual de nossos conhecimentos, são impossíveis de explicar. Quando digo “mente”, não me refiro necessariamente ao cérebro. Refiro-me, antes, ao mundo dos pensamentos ou consciência que existe no cérebro (discutirei isso mais detalhadamente ao tratar do materialismo, no Capítulo 4). Se a consciência ou mente pode subsistir após a morte do cérebro — se um parte de nós sobrevive ao desaparecimento do corpo e penetra num feto para renascer —, então se segue que é capaz de causar mudanças no desenvolvimento desse feto, tal qual é capaz de causá-las ao longo da vida. Assumindo que o período de desenvolvimento no útero é um período particularmente vulnerável para o corpo, vemos com facilidade que, se a mente ocupar um feto enquanto estiver carregando lembranças traumáticas, as quais, segundo estudos anteriores, podem produzir lesões específicas na pele de certas pessoas, essas lembranças com muito mais razão produziriam marcas ou mesmo defeitos de nascença semelhantes aos ferimentos que a mente experimentou em outra vida. Se a mente sobrevive a uma vida e passa para outra, os casos de marca de nascença envolveriam logicamente o mesmo processo responsável pelos episódios de hipnose acima documentados.

    Os nossos casos de marca de nascença parecem freqüentemente enquadrar-se nesse modelo.
    [...]

    ResponderExcluir
  6. Quando examinamos os casos, uma pergunta se impõe: se o trauma no final da vida pode produzir marcas e defeitos de nascença na próxima encarnação, por que há maior número de bebês que nascem sem esses problemas? Uma das explicações prende-se a uma idéia já discutida aqui. Ao falar da hipnose, eu disse que ela é capaz de promover mudanças em certas pessoas. Algumas respondem à hipnose muito mais prontamente que outras. Na verdade, há aquelas que não se deixam de modo nenhum hipnotizar. No caso do renascimento, é de esperar também que algumas pessoas sejam mais suscetíveis a ter marcas no novo corpo produzidas por traumas passados. A hipnose não logra produzir marcas na pele na maioria de pessoas, mas alguns sujeitos se revelam bastante suscetíveis a isso. De igual modo, na maior parte dos casos, lesões na hora da morte não afetarão o feto da vida seguinte; mas vez por outra isso acontecerá.

    Não sabemos bem quais fatores determinariam a suscetibilidade de uma pessoa à transferência de traumas; um desses fatores, porém, talvez seja a crença cultural. Se a crença vigente numa cultura ampara a possibilidade de um trauma sofrido numa vida passada afetar o feto em desenvolvimento, então os membros dessa cultura podem mostrar-se mais suscetíveis a apresentar lesões do que os de outra. Na hipnose, as expectativas do sujeito quanto ao que possa acontecer durante o estado de transe provavelmente afetam os resultados. Do mesmo modo, as crenças relativas à vida e à morte talvez promovam ocorrências subseqüentes como as marcas de nascença. Isso explicaria, ao menos em parte, por que se registram mais marcas de nascença em certos lugares que em outros. [...] Outra pergunta que se impõe é: por que há tantos casos relacionados à pele? Alguns envolvem deformidades como ausência de dedos ou membros, mas só uns poucos dizem respeito a doenças internas. Cabe-nos apenas especular sobre as causas disso, que também podem apontar para um fenômeno da consciência. Ficamos muito mais conscientes das lesões na pele do que nos órgãos internos; portanto, é mais provável que levemos sua lembrança para uma próxima vida. Do mesmo modo, se um homem tem os dedos amputados no momento em que é morto, toma decerto consciência desse fato, mas não perceberá, por exemplo, que o seu fígado foi dilacerado por uma bala. Deformidades podem surgir em conseqüência da percepção de lesões por parte da personalidade anterior e os órgãos internos talvez sejam poupados porque a vítima não toma consciência dos danos a elas inflingidos.


    Fim da citação.

    ResponderExcluir
  7. ERRATAS:

    a) Onde se lê "os processos atrás de interação mente-matéria", leia-se "os processos atrás da interação mente-matéria"

    b) Onde se lê "Como a situação é longa", leia-se "Como a citação é longa".

    Se for possível editar as próprias mensagens, corrigindo-as, agradeço. Nesse caso, pode apagar esse próprio post com as erratas. Se não for possível editar as mensagens, então manter este post.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ok. Grato por seus comentários e citações. Ademir

      Excluir
  8. Direto ao ponto: não é caso de reencarnação e sim de mediunidade.

    Ass: Adriano

    ResponderExcluir
  9. Prezado Ademir, não precisa publicar este meu comentário. Seria possível você publicar um comentário/estudo sobre o "Experimento Scole"? e Qual sua opinião sobre a tal "Data Limite"? Sobre a tal data limite somente o Geraldo Lemos teria ouvido essas informações do Chico Xavier? O nosso Chico não teria comentado nem escrito isto para ninguém mais? Sinceramente acho meio estranho. Qual sua opinião?

    Abraços
    Adriano

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adriano, de fato a proposta das suas questões é bem interessante. Podemos responder a algumas delas ao longo de outros posts. Grato por sua contribuição. Ademir

      Excluir