17 de fevereiro de 2015

Paisagem de Marte (sobre a visita a Marte em "Cartas de uma Morta")

Fig. 1 Vista da planície Husband (cratera Gusev), um dos sítios de exploração do robô "Spirit" da NASA. Ver também uma imagem panorâmica completa dessa região.
"Não vi montanhas, sendo notáveis as planícies imensas..."
"As águas são muito raras. As chuvas quase que se não verificam, 
mostrando-se o céu geralmente sem nuvens."
(Maria J. de Deus, em "Cartas de uma Morta", psicografia de F. C. Xavier)

Marte é, sem dúvida, o planeta que mais atraiu a curiosidade humana. Por ter algumas características físicas semelhantes à Terra, as primeiras observações telescópicas desse planeta criaram a expectativa de que ele, de fato, seria habitado. No ano de 1935, uma série de mensagens mediúnicas - reunidas na forma de um livro - chamou a atenção na forma de relatos de uma visita feita por um Espírito desencarnado da Terra aquele mundo distante. Na época, é importante que se ressalte, o conhecimento científico (2) acreditava que Marte poderia ser habitado e que sua superfície seria riscada por uma rede de canais, talvez criados por algum tipo de civilização extraterrestre que habitasse o planeta. Interpretava-se as diferenças de albedo da superfície marciana como oriundas da presença de água no planeta ou mudanças de tons na vegetação, ressaltando-se a presença de calotas polares que mostravam variações típicas de mudanças de estação. 

O texto atribuído à Maria João de Deus "Paisagem de Marte", do livro "Cartas de uma Morta" (3), tem uma seção que descreve a paisagem marciana como observada pelo Espírito e interpretada pela mediunidade de Chico Xavier. É importante ressaltar que o livro quase que inteiramente traz observações feitas por um Espírito desencarnado e, portanto, não tratam da contraparte "corpórea" de seu ambiente. Para quem lê o livro com conhecimento espírita, está bastante claro que as descrições são desse ambiente espiritual imediato. Além disso, essas descrições não são as de um geógrafo: trata-se de uma mente "não acadêmica", tentando relatar o que viu, sem os rigores esperados de um cientista. Se no desenvolvimento das ciências comuns dificilmente levamos em consideração observações de "pessoas comuns" com relação à fatos científicos, o estado de emancipação que goza a alma desencarnada não faz dela um cientista também com relação a esses fatos e, menos ainda, aqueles que nos são desconhecidos. Temos aqui o primeiro obstáculo na tentativa de se utilizar os Espíritos como testemunhas para geração de conhecimento científico relacionado às ciências materiais.

Por falta dessa compreensão mais dilatada, muito se tem falado sobre a adequação desse texto ao conhecimento moderno, com base na visita de recentes sondas espacias que foram até aquele planeta. Em particular, mentes céticas e sem o conhecimento espírita interpretam o texto ao "pé da letra" e imputam um caráter de fantasia a ele (4). Ignorando o obstáculo que descrevemos anteriormente, admitem que mensagens espíritas devem conter revelações científicas em pé de igualdade com os rigores dos desenvolvimentos e metodologias do campo científico da matéria. Um exemplo disso pode ser lido no texto (5), onde seu autor declara: 
"As sondas não mostraram nada de oceanos, canalização, vegetação e muito menos homens alados em Marte. Por ironia, lá descobriram, porém as maiores montanhas do Sistema Solar. Ninguém esperava por isso no século XIX, porque se supunha que Marte era um planeta “velho”, desgastado pela erosão."
Além disso, ao se comparar as descrições do Espírito em (3) com o conhecimento material da questão, temos outro problema. Apenas por paralelos é que se pode tentar inferir o que um Espírito desencarnado percebe de sua vizinhança à descrição dessa mesma vizinhança por um encarnado. Ora, no estado de liberdade, a sensibilidade e percepção do Espírito é muito maior (5b) do que a de um encarnado. Portanto, rigorosamente, não se pode tomar as impressões de um Espírito como equivalentes à sua sensibilidade quando encarnado. Temos aqui assim um segundo obstáculo para o uso das mensagens espíritas como representando impressões sensíveis equivalentes a de um encarnado. Em termos simples: se um Espírito e um encarnado fosse colocados em um mesmo ambiente, eles descreveriam a cena e os fenômenos nela de forma completamente diferente e, portanto, dificilmente poderíamos tomar as duas descrições como equivalentes (6). 

Nosso objetivo aqui é fazer uma análise mais adequada do texto em (3) com referência ao que era conhecido no século XIX (o texto, porém, é do ano 1935) e que contrasta com essas análises céticas apressadas que pregam a inverdade dos textos mediúnicos. Para isso, utilizaremos alguns trechos de (3) e referências da rede, tanto da época como atuais, para demonstrar como é possível dizer que (3) contém, de fato, mais pontos de revelação e acordo do que contradições. Isso será feito levando-se em consideração esses problemas de tradução e sensibilidade que podem ser encontrados nas mensagens espíritas.

Um comparação cuidadosa
(Trecho 1) Percebi, perfeitamente, a existência de uma atmosfera parecida com a da Terra, mas  o ar, na sua composição, afigurava-se-me muitíssimo mais leve. Assegurou-me então o Mestre, que me acompanhava, que a densidade em Marte é sobremaneira mais leve, tornando-se a atmosfera muito rarefeita. (3, p. 127)
Fig. 2 Imagem da "Mars Global Surveyor" (2005)
mostrando poucas nuvens em Marte. 

Usamos aqui apenas os trechos em (3) que parecem descrever o ambiente físico (a "aerografia") de Marte. O exemplo do texto acima é desse tipo, embora a percepção da atmosfera que um Espírito possa ter seja bastante diferente daquela de um encarnado. Apenas por um paralelo - comparando-se a impressão de um Espírito da atmosfera terrestre com a de Marte - é que poderíamos sugerir que se trata de uma descrição da densidade atmosférica daquele planeta. Guardando-se essa cautela, concluímos que a descrição apresentada é correta. A diferença é imensa em relação a um encarnado: na Terra podemos respirar perfeitamente, enquanto que em Marte não.  O fato de a atmosfera de Marte ser menos densa do que a da Terra era conhecida desde o século XIX (6b) porque Marte é um planeta menor do que a Terra, tendo, portanto, uma gravidade menor, que não consegue manter sua atmosfera na mesma densidade que a terrestre.

Com relação à questão da água e dos canais, é relevante este trecho em (3, p. 128):
(Trecho 2) Vi oceanos apesar da água se me afigurar menos densa e esses mares muito pouco profundos. Há ali um sistema de canalizações, mas não por obra de engenharia de seus habitantes, e sim por uma determinação natural da topografia do planeta que põe em comunicação contínua todos os mares. 
Esse trecho em particular foi usado em (5) para desqualificar a comunicação. Acontece que, ainda na década de 1930, a questão dos canais em Marte era bastante conhecida, estando a opinião acadêmica não decidida com relação a sua natureza (2) e existência. A maior parte das opiniões era favorável à existência dos canais, que se apresentavam regularmente nas oposições de Marte e que podiam ser observados (conforme mostramos em (2))  sob condições excepcionais de observação. O astrônomo Carl Sagan (1934-1996) em seu livro "Cosmos" (1980) acreditava que ainda existia um segredo relacionado aos canais marcianos, mesmo com as visitas não tripuladas aquele planeta. A comunicação, entretanto, caracteriza os canais como uma "determinação natural da topografia", o que deve ser comparado a diversas imagens recentes (Fig. 3) mostrando a existência de rios antigos ou canalizações em Marte. Ressaltamos que tais estruturas eram impossíveis de serem vistas em 1935 por qualquer tipo de telescópio. É importante ressaltar: por suas dimensões, esses leitos de rios não correspondem aos supostos canais marcianos, popularmente conhecidos até a década de 1960, quando as missões espaciais revelaram uma nova "aerografia".

Fig. 3 Imagens recentes (ver referências 7a a 7c) mostrando a presença do que parecem ser leitos de antigos rios em Marte. Essas estruturas eram inobserváveis com telescópios em 1935 e não correspondem aos supostos canais marcianos popularmente conhecidos na época.

Mas não há água em Marte...

Não obstante a visão de oceanos em Marte, o seguinte trecho traz uma observação diferente (3, p. 128):
(Trecho 3) As águas são muito raras. As chuvas quase que se não verificam, mostrando-se o céu geralmente sem nuvens. Afirmou-me o protetor que  grande parte das águas desse planeta desapareceram nas infiltrações do solo, combinando-se com elementos químicos das rochas, excluindo-se da circulação ordinária do orbe. (grifo nosso)
A que se deve a diferença entre o Trecho 2 e 3? Há várias hipóteses possíveis. Uma delas nos leva ao terceiro problema relacionado à interpretação literal de textos mediúnicos: a influência do médium. É possível que o Trecho 2 tenha sofrido com essa influência, contrastando com a afirmação da inexistência de água em Marte. Outra possibilidade é imaginar que o Espírito interpretou as regiões de menor albedo da superfície do planeta com sendo oceanos.  Isso era, de fato, o que  acreditavam alguns astrônomos até meados da década de 1960, quando as primeiras sondas espaciais mostraram que as regiões escuras não eram oceanos. De qualquer forma, lembrando das ressalvas em relação ao segundo problema com as comunicações mediúnicas, é possível que a água descrita no Trecho 2 não se trate de água no sentido material. Considerando a afirmativa do Trecho 3, a conclusão é que, em 1935, tínhamos uma revelação que afirmava a inexistência de água na superfície de Marte, fato que não estava de acordo com o que se observava na época - lembrando que a presença de calotas polares observáveis ao telescópio indicava que o gelo poderia se converter em vapor d'água ou água líquida. 

Menos conhecida ainda era a possibilidade de que água líquida teria fluido em Marte, mas desaparecido no solo. De fato, apenas muito recentemente é que imagens de alta resolução (como as da Fig. 3) foram obtidas da superfície marciana, indicando que, há muito tempo atrás, água líquida existia na superfície de Marte. Portanto, a afirmação grifada no Trecho 3 é algo verdadeiramente revelador.  Dado o tamanho de Marte, sua gravidade e as condições físicas necessárias para que água líquida exista em sua superfície (pressão, densidade e temperatura), até hoje há quem acredite que água nunca existiu em Marte. Não obstante a pequenez desse planeta, cientistas recentemente têm revisto suas teorias. Por exemplo, em (7c), que data do ano de 2013, podemos ler:
O time da Mars Express da ESA diz que esse rio fluiu com muita água há cerca de 3,5 a 1,8 bilhões de anos, durante o período Hesperiano. Depois disso, a era Amazoniana se iniciou, fazendo com que o Vale Reull fosse invadido por uma geleira. Essa geleira moldou o vale onde o rio estava, empurrando dejetos e gelo e criando os lados bem definidos com se pode ver nessas imagens.
A imagem referenciada é a da Fig. 3(7c). Portanto, M. J. de Deus parece ter revelado em 1935 algo que apenas recentemente (8) foi conhecido. Ressaltamos adicionalmente que, na época datada para a existência de oceanos em Marte (há aproximadamente 3 bilhões de anos), a Terra era um planeta inóspito e sem vida. Com o passar do tempo, a água que existia se infiltrou no solo e se combinou com os materiais da superfície, dando ao planeta a aparência avermelhada (presença de ferro nas rochas). Essa descrição, entretanto, só foi conhecida pelos meios científicos depois que os primeiros robôs pousaram na superfície de Marte. Em (9), por exemplo, podemos ler:
'Essa é uma evidência poderosa de que a água interagiu com rochas e mudou a química e a mineralogia de forma dramática', afirma Steve Squyres da Universidade de Cornell ao jornal New York Times. Ele é lider técnico de um time científico da missão Oportunity. Essa é a evidência mais forte encontrada de um ambiente marciano passado que pôde ter abrigado vida.
Não há montanhas em Marte...

Se um alienígena fosse trazido à Terra e deixado em alguma região do deserto do Saara,  acreditaria que nosso planeta não tem montanhas. Isso é o que provavelmente aconteceu ao Espírito de M. J. de Deus em (3), conforme se deduz desse outro trecho contendo uma "observação geográfica" (3, p. 128)
(Trecho 4) Não vi montanhas, sendo notáveis as planícies imensas onde os felizes habitantes desse orbe desempenham suas atividades consuetudinárias.
O Espírito apenas afirma não ter visto montanhas em Marte. De fato a imagem da Fig. 1, capturada pelo robô "Spirit" da NASA confirma essa visão. Descobertas recentes descrevem Marte essencialmente como um planeta com poucas montanhas. Do ponto de vista geofísico, montanhas são formadas por obra de forças tectônicas ou por vulcanismo, não sendo quaisquer elevações de terreno consideradas como montanhas. Em Marte, a maior parte das montanhas (mons) tem origem vulcânica, sendo o terreno descrito como majoritariamente plano (se comparado à Terra). Por exemplo, Vastitas Borealis é o nome dado a uma grande planície que cobre quase que metade de Marte e que se acredita ter sido leito raso de um antigo oceano (9). Portanto, não é difícil para alguém deixado aleatoriamente em algum ponto da superfície de Marte não registrar a presença dessas estruturas geológicas.

Conclusões

O espírito de prevenção, má fé ou má vontade pode interpretar literalmente qualquer texto. No caso das mensagens espíritas - quando não destinadas a notas sobre a moral e a ética - podem sofrer de pelo menos três problemas que impedem sua interpretação literal. Além do problema de interferência mediúnica, o pouco conhecimento especializado do comunicante aliado a sua alta sensibilidade podem resultar em descrições que apenas em alguns trechos são comparáveis ao que esperaríamos de observações científicas das ciências da matéria.

Vamos finalmente relembrar que as ciências da matéria se escoram em teorias para realizar a descrição dos fenômenos. Essas teorias tem um vocabulário próprio, com semântica altamente específica. Apenas aqueles que detêm conhecimento dessa semântica podem descrever fenômenos físicos aproveitáveis para quem faz ciência da matéria. Seria muito esperar que um comunicante espiritual, desprovido desse vocabulário pudesse trazer descrições que competissem com nossos maiores cientistas. Mesmo assim, algumas conclusões que fizemos parecem indicar que algo foi revelado no que diz respeito a aspectos puramente materiais de Marte em (3).

Outras considerações tecidas pelo cético da referência (5) também merecem mais comentários, o que faremos oportunamente em um próximo artigo.

Agradecimento

Agradeço ao Chrystiann Lavarini pela indicação da ref. (5).

Referências


(2) Artigos científicos da época podem ser acessados na rede hoje em dia. Alguns deles foram referenciados neste post: "O que aconteceu aos canais de marte?" em astronomiapratica.blogspot.com.

(3) F. C. Xavier. "Cartas de uma morta", 4a Edição. FEB.

(4) Para um materialista ou cético, obviamente não existe verdade fora do que ele crê.

(5) Antônio L. M. C. Costa (2008). "Errar é científico, insistir no erro é esotérico". Carta Capital. Ver: http://www.cartacapital.com.br/cultura/errar-e-cientifico-insistir-no-erro-e-esoterico

(5b) A. Kardec, "A Gênese", Cap. 14, II - Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais, visão espiritual ou psíquica, dupla vista, sonambulismo, sonhos, parágrafo 23.

(6) Um exemplo trivial disso são as inúmeras descrições de Espíritos de ambientes e cenas onde encarnados nada conseguem ver além de escuridão.

(6b) P. Lowell (1894). "Mars: atmosphere". Popular Astronomy. Vol. 2, pp. 154-160. http://articles.adsabs.harvard.edu/full/1894PA......2..154L

(7a) http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2263983/Rivers-red-planet-Astonishing-new-pictures-reveal-1500km-river-ran-Mars.html (acesso, Fevereiro 2015)

(7b) http://www.lpi.usra.edu/education/resources/s_system/mappingMars.shtml (acesso, Fevereiro 2015)

(7c) http://gizmodo.com/5977058/scientists-discover-spectacular-river-on-mars (acesso, Fevereiro 2015)

(7d) http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2001/ast05jan_1/ (acesso, Fevereiro 2015)

(8) É importante dizer que outras marcas de movimentação de fluidos em Marte são atribuídas à movimentação de lava. Evidências recentes, entretanto, mostram que Marte foi coberto por um Oceano. Veja: http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_ocean_hypothesis

(9) Ver: http://theconversation.com/ageing-rover-finds-evidence-for-an-early-ocean-on-mars-15057

16 comentários:

  1. Prezado, veja isto: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/01/23/a-pesquisa-sobre-cartas-de-chico-xavier/

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  2. Sempre achei que nessas mensagens dos Espíritos sobre Marte ou outros planetas do Sistema Solar, eles falam sobre planos de vida ainda iniacessíveis a nós. Observem o que diz uma mensagem de Humberto de Campos, no livro Novas Mensagens, em que ele mostra o discurso de uma entidade marciana, quando Humbertso de Campos visitava aquele planeta: " — "Irmãos, ainda é inútil toda tentativa de comunicação com a Terra rebelde e incompreensível! Debalde os astrônomos terrenos vos procuram ansiosos, nos abismos do Infinito!... SEUS TELESCÓPIOS ESTÃO FRIOS, SUAS MÁQUINAS GELADAS. FALTAM-LHES OS ARDORES DIVINOS DA INTUIÇÃO SUBLIME E PURA, COM AS VIBRAÇÕES DA FÉ QUE OS LEVARIAM DA CIÊNCIA TRANSITÓRIA À SABEDORIA IMORTAL (grifo nosso). Fatigados na impenitência que lhes caracteriza as atividades inquietas e angustiosas, os homens terrestres precisam de iluminação pelo amor, afim de que se afastem do círculo vicioso da destruição, na tecnocracia da guerra. Lá, os Irmãos se devoram uns aos outros, com indiferença monstruosa! Os povos não se afirmam pelo trabalho ou pela cultura, mas pelas mais poderosas máquinas de morticínio e de arrasamento. Todos os progressos científicos são patrimônio do egoísmo utilitário ou elementos sinistros da ruína e da morte!... Enquanto as árvores de Deus frondejam no caminho da Vida e do Tempo, cheias de frutos cariciosos, as criaturas terrenas consideram-se famintas de violência e de sangue. A ciência de seres como esses não poderia entender as vibrações mais elevadas do Espírito! Os vícios de uma falsa cultura casam-se aos vícios das religiões convencionalistas, que estacionam em exterioridades nocivas ou se detém nos fenômenos, sem cogitar das causas profundas, esquecendo-se o homem do templo divino do seu coração, onde as bênçãos de Deus desejam florir e semear a vida eterna!... Tão singulares desequilíbrios provocaram na personalidade terrestre um sentido bestial que lhe corrompe os mais preciosos centros de força e, somente agora, cogitam as instituições divinas da transição necessária, afim de que a vida na Terra se efetive, com o sentido da verdadeira humanidade, ali conhecido tão somente na exposição teórica de alguns espíritos insulados!... Irmãos, contemplemos a Terra e peçamos ao Senhor do Universo para que as modificações, precisas ao seu aperfeiçoamento, sejam menos dolorosas ao coração de suas coletividades! Oremos pelos nossos companheiros, iludidos nas expressões animais de uma vida inferior, de modo que a luz se faça em seus corações e em suas consciências, possibilitando as vibrações recíprocas de simpatia e comunica- ção, entre os dois mundos!..."

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  3. Caso o objetivo fosse usar o metodo cientifico espirita este texto seria classificado como a opiniao de um espirito, sem ser admitido como verdade. A opiniao deste espirito estaria a espera da confirmacao ou refutacao da ciencia ou da concordancia de um numero significativo de outras comunicacoes mediunicas. Mas como nao fazemos espiritismo chegamos a essas discussoes confusas que nao levam a lugar algum.

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    1. ​Carlos: vc tem exatamente a ideia de quantas mensagens Kardec usou para compor o "Livro dos Espíritos"? Que eu saiba ele usou duas médiuns. Se fossemos aplicar esse critério, acredito que muita coisa no LE ainda teria que aguardar confirmação. Agora, vc pode me dizer que grupo ou personalidade (imagino que seja alguém que se considere um ortodoxo espírita) irá estabelecer um tribunal para julgar e classificar a avalanche de mensagens que existiram antes e depois de Kardec? Quem me garante que um tal grupo não sofreria oposição de outro, ainda mais ortodoxo, que descredenciasse as opiniões do primeiro? E qual seria o número de mensagens que vc esperaria para confirmar a mensagem? Dez seria suficiente ou cem? Ao que parece, nada de nossa vida na Terra mudaria caso exista ou não uma 'humanidade' desencarnada em Marte. Trata-se de uma questão secundária. Por outro lado, existem inúmeras mensagens (mesmo antes de Kardec) afirmando a realidade das colônias espirituais e isso não impede que alguns grupos que se consideram mais espíritas do que outros continuem a achar que o tema está sujeito ao critério da concordância universal. Provavelmente estão esperando um milhão de mensagens para resolver o caso... ​

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  4. A premissa do texto parece ser a de que, por a autora ser desencarnada, o que ela observa é necessariamente espiritual. Li esses textos faz tempo, mas, à época, fiquei com a clara impressão de que ela não especifica o ponto de vista de que fala e dá a entender que vê o físico mesmo. Note-se ainda que ela fala de Saturno também -- planeta que hoje sabemos ser gasoso, e em cuja descrição, se física, ela erra tremendamente. Para ser sincero, não vejo muita utilidade nessas descrições feitas por Espíritos, mas acho que é um pouco forçado supor, na ausência de clareza do texto original, que a perspectiva é necessariamente extrafísica. Acabaríamos raciocinando de forma impossível de desmentir: é tudo verdade, nós é que temos de demonstrar que é falso, quando a perspectiva prudente seria a oposta.

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    1. Caro Rodrigo.

      Nunca ouvi de alguém imaginar que um Espírito - mormente se está em certa escala de desenvolvimento - só observa o que é "material"...

      Por isso, não acredito que sua crítica é válida do ponto de vista espírita (como de um cético, tudo bem). As descrições feitas do plano espiritual o são em termos 'físicos' como se fossem referentes a coisas tangíveis etc, não só porque é assim que elas aparecem aos Espíritos, como também é assim que nós, encarnados, temos condições de entender. Não teria como imaginar esse plano como sendo algo fluido, pouco definido, nebuloso ou etérico, inexistem bases comparativas e descritivas (um dicionário) para tais termos.

      Dessa forma, não creio que quem tenha uma concepção idealizada do plano espiritual vá realmente acreditar nos relatos. Além disso, presentemente e por um bom tempo, eles são e continuarão inverificáveis.

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  5. "Ao que parece, nada de nossa vida na Terra mudaria caso exista ou não uma 'humanidade' desencarnada em Marte. Trata-se de uma questão secundária."
    Mas a humanidade de Marte não é desencarnada. O Espiritismo contradiz a NASA e a ESA. Os Espíritos afirmam: Marte é habitado, conforme a Terra é habitada. E eu provo isto neste blogger espiritismotransplanetaria.blogspot.com.br
    Saudações fraternas.

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    1. Pacheco. Creio que existe um problema mais fundamental na definição de 'habitabilidade': e que entendemos isso apenas do ponto de vista puramente material. Pois, como existe vida após a morte, não é essa vida mais intensa, verdadeira, tangível e existente do que a vida material? Por que devemos nos preocupar nessas questões - se vamos TODOS morrer - com a vida do tipo que temos agora? Vida nesse sentido pode existir em todo o Universo, mesmo nas regiões que consideramos absolutamente vazias. Respeito seu ponto de vista, mas precisamos estabelecer nosso pensamento em outras bases também.

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    2. O problema, Ademir, é divulgar o que nenhum Espírito disse em nenhum momento, em nenhum lugar: que a vida em Marte é invisível. Você acredita na NASA e eu acredito nos Espíritos e confio na mediunidade de Chico Xavier. Maria João de Deus e Humberto de Campos nos revelam, em seus livros, que Marte é habitado, conforme a Terra se mostra habitada e a NASA diz que Marte não tem vida; que é um planeta desértico. Você pode achar que saber que Marte é habitado não seja importante, mas não pode publicar que o Espiritismo ensina que a vida marciana é invisível, isto é, desencarnada, porque isto não foi ensinado por nenhum espírito.

      Saudações fraternas.

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    3. O Espiritismo não é só a leitura dos livros da Codificação. A mediunidade e a ajuda espiritual são indispensáveis.

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    4. Sim, concordo com isso. Porém há um problema de concepções aqui. Na sua opinião, "vida" só se refere ao que é material. Ora, desde que existe sobrevivência, eu rejeito completamente essa noção de vida sua, já que minha condição de existência prescinde da materialidade. Entendeu? É isso que estou dizendo. Por outro lado, a condição de "invisibilidade" não exige absolutamente que se seja um "desencarnado". Penso que esse problema tem a ver com a questão dos "canais" marcianos, sobre o que escrevi em outro blog:http://astronomiapratica.blogspot.com.br/2015/02/o-que-aconteceu-com-os-canais-de-marte.html
      Se vc ler esse artigo, verá que algo realmente aconteceu à superfície de marte desde quando as sondas terrestres lá chegaram (a menos que se considere os registros fotográficos dos canais como fraudes e todos os observadores anteriores como fraudadores ou loucos). Ora, qualquer amador hoje em astronomia não ve canais algum em marte, sendo que, de fato, essas estruturas "desapareceram" da superfície marciana (não se precisa invocar conspirações da NASA para ocultar isso ou aquilo, a observação de marte com telescópios pontentes é publica). Em suma os canais "tornaram-se invisíveis". Então eu penso que não haverá solução desse problema enquanto não se explica em detalhes o que aconteceu a tais canais.

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    5. Este comentário foi removido pelo autor.

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    6. Acredita mesmo que o Projeto SETI, em mais de 50 anos, nunca recebeu um sinal de extraterrestre?
      "Manda quem pode, obedece quem tem juízo."
      "... a observação de marte com telescópios potentes é publica ..."
      Os telescópios mais potentes já construídos estão nas mãos do Serviço de Segurança e Militar e do Serviço de Inteligência dos países que os construíram. O astrônomos que, lá, trabalham são remunerados por esses governos.
      A propósito, acredita mesmo que perderam o contato com o módulo ExoMars? Quantas vezes já deram essa desculpa?

      Saudações fraternas.

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    7. Livro Cartas de Uma Morta >>
      " Há ali um sistema de canalizações, mas não por obras de engenharia dos seus habitantes, e sim por uma determinação natural da topografia do planeta que põe em comunicação contínua todos os mares."
      Como podemos constatar, os canais não são artificiais.
      Saudações fraternas.

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  6. Com certeza, os canais não podem ser vistos devido a distância de Marte em relação a Terra e a capacidade do telescópio.
    A vida invisível e encarnada existe em planetas também invisíveis, isto é, de outra dimensão. São espíritos muito evoluídos em planos da matéria muito elevados.
    Os planetas povoados têm uma população espiritual que reencarna em corpos humanos físicos de seus planetas como aqui na Terra.
    Em marte, vemos as montanhas, a água, o gelo nos polos, as planícies e não vemos os seres corpóreos, porque são de outra dimensão? Isto, para mim, é um absurdo.
    Se colonizarmos o planeta Marte, ele vai passar a ser nosso e dos marcianos? Para mim, isto é um absurdo.
    Precisamos ver os espíritos Maria João de Deus e Humberto de Campos com mais consideração. Eles não são idiotas e nem estavam de má-fé, desrespeitando o Consolador Prometido, brincando com ficção científica. Se não existisse, em Marte, nada que pudéssemos ver, eles nos teriam dito: Não há nada que vocês possam ver em Marte. A sua humanidade é invisível para seus olhos. Vocês verão um planeta desértico. Você não diria? Eu diria.
    Veja, no meu Blogger, a página "O Espiritismo, a NASA e os Extraterrestres". Lá, eu provo, que Marte não pode ser um planeta desértico, segundo o Espiritismo.
    Só pra lembrar >> espiritismotransplanetaria.blogspot.com.br

    Saudações fraternas.

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  7. Veja, também no meu Blogger, a página "Não há mais dúvida: Marte é habitado.". Lá, eu provo, que a população de Marte não pode ser invisível, segundo o Espiritismo.

    Saudações fraternas.

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