16 de março de 2014

Livro VII - Mediunidade Mensurável (de S. Fontana)


O pesquisador Sandro Fontana recentemente publicou o livro "Mediunidade Mensurável - um livro digital que resume uma pesquisa sobre a possibilidade de medir estimadamente a mediunidade de uma pessoa", disponível gratuitamente (1) e contendo sua pesquisa em mediunidade. Esse livro segue a publicação de seu artigo "Mensuração de nível estimado mediúnico" (2). Aqui tecemos alguns comentários sobre essa obra. Certamente, a iniciativa do autor é louvável, por representar uma iniciativa isolada de aplicar o que seria chamado "metodologia científica" a um vasto campo de estudo como é o da mediunidade. 

Essa iniciativa se destaca uma vez que constatamos que trabalhos semelhantes são escassos no meio espírita,  quase que totalmente voltado para o aspecto religioso do Espiritismo. Não podemos nos esquecer do tríplice aspecto, de forma que as questões e problemas relacionados à parte científica são igualmente relevantes.

O trabalho está dividido nas seguintes partes:
  • Introdução (p. 5);
  • Objetivo (p. 7)
  • Kardec e mediunidade (p. 9)
  • A verdadeira, a falsa e a mediunidade intermediária (p. 14)
  • A incógnita constante do médium (p. 21)
  • O surgimento dessa pesquisa (p. 24)
  • Iniciando a tabela (p. 26)
  • A lógica base (p. 28)
  • Expondo médiuns à formulação (p. 35)
  • Os níveis e os médiuns (p. 54)
  • Os tabus (p. 56)
  • A aplicação (58);
  • Conclusão (p. 60)
Logo na introdução, o autor destaca a justificativa do trabalho:
Acredito que o desafio aqui, algo que a necessidade demonstrou ser importante, é tentar ser o mais justo possível, dando um passo além para esse novo século onde o espiritismo precisa resgatar o lado da pesquisa. Hoje temos enraizado profundamente os sedimentos morais/religiosos de espiritismo, porém o lado científico ficou estagnado no tempo e, assim que conseguirmos avançar nele, conseguiremos reforçar, junto da filosofia espírita, os passos seguintes para progredir na marcha evolutiva.
Nada mais justo... Fazer crescer o aspecto científico do Espiritismo certamente é justificativa importante. Porém, não se pode esperar isso com abandono total do que foi construído, em que pese a aparência de "estagnação". Como ciência, o Espiritismo ainda é muito jovem (3) e não dispõe de orçamento próprio do Estado para seu desenvolvimento.

O autor se baseou na definição universal de Kardec para o vocábulo "mediunidade" (ver "Kardec e a mediunidade", p. 9). Um pouco depois, o autor comenta:
Alexandre Aksakof descobriu o efeito anímico no médium, ou melhor, depois de seus estudos, propôs a tese de que o médium, mesmo sem intenção, provoca um efeito que confunde-se com a comunicação mediúnica.
Em diversas partes da obra de Kardec já se afirmava sobre a existência de efeitos anímicos, que não receberam, obviamente, esse nome (4). Por exemplo:
Embora geralmente o sensitivo mediúnico esteja desperto, em certos casos, que se tornam cada vez mais frequentes, o sonambulismo espontâneo se declara no médium, e este fala por si mesmo, ou por sugestão, absolutamente como o sonâmbulo magnético se conduz nas mesmas circunstâncias. (5, grifos nossos)
Aksakof parece ter sido, na verdade, o primeiro pesquisador a diferenciar entre as explicações totalmente anímicas para a mediunidade (advindas quase que integralmente dos meios céticos) daquelas totalmente espíritas, e a ressaltar o papel da influência do médium em meios que não aceitavam as teses de Kardec.

Devemos considerar que os médiuns da época de Kardec talvez não apresentassem suas mediunidades no mesmo grau dos de hoje. Assim como houve redução drástica nas manifestações de efeitos físicos, é provável que efeitos anímicos tenham prevalecido posteriormente, o que torna a questão ainda mais complexa. 

As questões colocadas pelo autor na p. 12 são pertinentes:
Mas e se o médium não for confiável?
E o que o faz não ser confiável?
Até que ponto a comunicação está sendo verdadeiramente efetiva?
Essas parecem ser as questões que motivaram o autor a realizar sua pesquisa. Ou, de outra forma: seria possível desenvolver um método quantitativo para ajudar na resposta a essas questões? A divisão feita entre "mediunidade falsa" (chamada "anímica") da mediunidade intermediária (que seria verdadeira, mas com algum grau de animismo) parece justificar a busca por uma escala de classificação que  transcenderia Kardec. Por isso, na parte seguinte (p. 14), o autor deixa de seguir Kardec (6). 

A questão é que, para Kardec, métodos quantitativos seriam os últimos a serem buscados nessa empreitada. Mediunidade é, fundamentalmente, um fenômeno humano e, com esse tipo de efeito, métodos quantitativos se mostram problemáticos (7), de difícil senão impossível aplicação. O leitor de "Mediunidade mensurável" deve saber que nos movemos em uma região potencialmente infrutífera ao seguir esse caminho. 

 Proposta de quantificação de mediunidade

O autor estima que, na comunicação, 50% vem do "pensamento" do Espírito comunicante e outros 50% do médium (p. 29):
Dessa forma, eu dividi a comunicação em dois momentos, sendo 50% ao pensamento (espírito) e os outros 50% ao repassador/transmissor (médium).
É difícil entender qual foi o raciocínio necessário para propor essa divisão porque "pensamento" (do médium e do Espírito) é algo imensurável e não se pode definir percentagens com atributos imensuráveis. Como afirmamos acima, a palavra "animismo" é posterior à codificação, mas isso não significa que não tenha sido discutido por Kardec. Mais a frente, ainda na p. 29:
Kardec, em toda sua obra, não explicita tal condição de forma clara, acabei descobrindo isso (por acaso) em meus testes e observações. Na Codificação Espírita, ao lê-la, temos a impressão que o espirito não tem problemas em se comunicar e que tudo depende absolutamente da sensibilidade do médium.
Criar percentagens a atributos imensuráveis não tem sentido e esse seria um erro que Kardec não cometeria e não cometeu. Além disso, o problema aqui é que termos usados em meados do século XIX não têm o mesmo significado hoje em dia (como por exemplo, "sonambulismo espontâneo" que pode ser compreendido como "transe anímico"), de forma que não se pode dizer taxativamente que a noção de influência do médium esteja ausente da codificação.

A proposta do autor de quantificação segue uma fórmula (ver p. 30) que aparece como uma média ponderada (%Vm) de valores estimados de vários "atributos" (da mensagem e do médium). Embora o autor reconheça a diferença entre cada tipo de atributo, eles são misturados em uma mesma fórmula com pesos iguais (8), com índices negativos para médiuns considerados fraudulentos.

A aplicação da fórmula é exemplificada por vários casos que parecem seguir a opinião do autor a respeito de determinado médium. Uma vez calculados um índice (%Vm), uma proposta de quatro classes mediúnicas é finalmente apresentada na p. 54.

Claramente existiria uma grande vantagem se fosse possível identificar um bom médium por meio de avaliação quantitativa tão direta como a que é explicada em "Mediunidade Mensurável". Essas vantagens são discutidas nas p. 58-60. É perceptível o desejo do autor em colaborar com o desenvolvimento de novos estudos para a mediunidade, o que, por si só, é algo difícil de constatar nos meios dedicados ao assunto.  

Palavras finais

Mediunidade (assim como a inteligência e a beleza) parece ser uma faculdade humana intrinsecamente imensurável. Entretanto, podemos sim definir medidas quantitativas para o conteúdo da mensagem (9). Por exemplo, dada uma mensagem mediúnica, podemos fazer uma análise sintática e numérica dela, contando-se o número de substantivos, verbos etc. que ela contém. Podemos analisar mais profundamente seu conteúdo, buscando traçar a correspondência fato-informação para cada elemento de mensagem nela presente.

Como é que tal análise poderia caracterizar a mediunidade? Parece ser correto afirmar que, quanto maior a fidelidade do médium na transmissão do conteúdo, mais "desenvolvida" seria a sua mediunidade. Nesse sentido o autor de "Mediunidade Mensurável" identificou a relação entre conteúdo e excelência da fonte que o produz no caso de psicografias.

Entretanto, esbarramos em problemas grandes ao querer criar uma escala numérica de qualificação para médiuns. O problema é que a mediunidade psicográfica (ou psicofônica), apesar de produzir mensagens concretas, ainda é um fenômeno privado do ser humano. Como ponto para meditação, devemos considerar que é possível que o médium seja excelente (no sentido de entrar em contato com muita informação), mas não consiga corretamente colocar no papel todo o conteúdo.

Para exemplificar, imaginemos dois rádios de uma mesma marca. Um está de acordo com suas especificações de fabricação, enquanto que outro tem um problema em seu alto-falante, que não permite interpretar corretamente o que é transmitido. Então, nesse caso simples, não seria possível colocar o rádio defeituoso como uma "outra classe", ou dizer que o rádio perfeito é "superior". O máximo que se pode dizer é que existe um defeito em um dos rádios. Com isso queremos dizer que, no caso da mediunidade, dificuldades de transmissão de conteúdo podem não ser devidas a diferenças intrínsecas entre classes. Em suma, mediunidade ainda é algo bastante complexo para permitir avaliações quantitativas, mesmo nos casos mais concretos.

Referências e notas
  1. S. Fontana. Mediunidade Mensurável. Um livro digital que resume uma pesquisa sobre a possibilidade de medir estimadamente a mediunidade de uma pessoa. Digital e-book. Acesso em 2014. 62 páginas.
  2. Ver apresentação do autor (em 19/agosto/2012): https://www.youtube.com/watch?v=Pb5JSan2DUE
  3. Séculos foram necessários para dar à física a aparência de "modernidade"e para que ela fosse financiada com recursos públicos. Devemos nos confiar totalmente nas aparências?
  4. Ver, por exemplo: "O Livro dos Médiuns", Segunda parte - Das manifestações espíritas, Capítulo XX - "Da influência moral do médium", Questões diversas.
  5. Revista Espírita 1867, Junho, Dissertações espíritas - "O Magnetismo e o Espiritismo comparados".
  6. Essa ausência de quantificação possivelmente é vista pelo autor como um sinal de "estagnação" do método de Kardec.
  7. Veja, por exemplo, as controvérsias envolvendo a definição de um "quociente de inteligência": Mark Snyderman and Stanley Rothman, (1988), "The IQ Controversy, the Media and Public Policy", Transaction Books.
  8. É fato básico que só se pode somar, subtrair, multiplicar ou dividir "banana com banana" ou "maça com maça". 
  9. Ver projeto "Cartas psicografadas": http://eradoespirito.blogspot.com.br/p/projeto-cartas-psicografadas.html

35 comentários:

  1. Oi Ademir,

    Achei muito bem ponderada sua análise acima. Talvez seja de utilidade fazer referência ao Capítulo XIX de O Livro dos Médiuns, intitulado "Do Papel dos Médiuns nas Comunicações Espíritas", onde Kardec analisa efeitos anímicos, embora não tenha utilizado esse termo.

    Curioso reproduzir a letra a) da 2a questão do item 223 do capítulo acima, em que após os Espíritos explicarem que é possível o Espírito do próprio médium se comunicar, Kardec pergunta:
    "a) Não parece que esta explicação confirma a opinião dos que entendem que todas as comunicações provêm do Espírito do médium e não de Espírito estranho?
    Os que assim pensam só erram em darem caráter absoluto à opinião que sustentam, porquanto é fora de dúvida que o Espírito do médium pode agir por si mesmo. Isso, porém, não é razão para que outros não atuem igualmente, por seu intermédio."

    Aqui destaco duas coisas: uma que ao formular essa pergunta, Kardec deixa claro que conhecia a **opinião** de outre a respeito a influência dos médiuns. O outro destaque que eu gostaria de fazer é para a resposta dos Espíritos: eles disseram que essa **opinião** só está errada se levada ao grau absoluto, o que significa que os Espíritos confirmam a possibilidade do animismo nas comunicações.

    Portanto, isso não deixa dúvidas de que Kardec e o Espiritismo reconhecem os efeitos anímicos.

    Um abraço,
    Alexandre F. Fonseca

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Olá Ademir,

    primeiramente me permita agradecer pela critica oficial a meu trabalho, somente assim podemos aprimorar as falhas ou tirar dúvidas sobre determinados pontos.

    Seu trabalho é o segundo que pude ter acesso, o outro foi de um psicólogo ligado a PSI e as impressões são bem diferentes de cada um.

    Me permita apontar e esclarecer algumas coisas, posso ter escrito de uma forma não tão clara ou de forma muito resumida.

    1) A ideia central dessa pesquisa foi tentar quantificar a mediunidade estimativamente de forma que se pudesse parametrizar alguns médiuns para estudos em pesquisas focadas sobre essa temática. Existem muitos pesquisadores PSI que estudam médiuns e não possuem critério algum para a seleção de médiuns, "pegando" médiuns que se dizem possuidores de tais "poderes". Bem, como você deve imaginar (se lê artigos desse gênero), é que muitos resultados de estudos com médiuns dão negativos, ou seja, evidenciam fortemente que a mediunidade não existe ou que se trata de fraude. Sempre foi uma critica minha a eles que as escolhas dos médiuns eram inapropriadas, portanto eles não deveriam escolher uma pessoa que se diga médium mas sim uma pessoa que demonstre possuir mediunidade, fato que demonstra distância enorme entre as partes.

    2) Eu mesmo, quando iniciei em 2010 o estudo que pretende comparar grafismos psicografados com dos espiritos (ja desencarnados) sob análise grafoscópica, me deparei com muitos médiuns que juravam serem verdadeiros mas não conseguiam sequer fornecer um nome de parente de um falecido. Ora, como poderia considerar que um médium realmente representava um espirito se ele sequer conseguia demonstrar isso? Esse foi um fator decisivo para escrever tal artigo, propondo uma singela tentativa de estimar a mediunidade e verificar mínimos aceitáveis para concorrer a uma pesquisa de porte cientifico. Talvez se um rigor assim existisse a mais tempo a imagem do espiritismo não estaria tão ridicularizada no meio cientifico geral.

    3) Em um determinado momento você diz:
    "Em diversas partes da obra de Kardec já se afirmava sobre a existência de efeitos anímicos, que não receberam, obviamente, esse nome..()"

    Isso foi em função de eu ter atribuído a "honra" da descoberta a Aksakof?

    Bom, realmente esta subentendido que Kardec sabia que existia alguma influência dos médiuns, mas a organização disso, assim como estipulações de limites, só veio a ocorrer depois dos estudos de Aksakof, estudos estes que vão muito além do que foi brevemente resumido no trabalho.

    Vale comentar também que seu exemplo, assim como do Alexandre, estão focados numa pequena parte do que foi estipulado como animismo, ou seja, os exemplos estão focados mais no personismo.

    Aqui, infelizmente, não seria um espaço para aprofundar exaustivamente sobre o animismo, principalmente em seu aspecto amplo, onde teríamos que abordar toda a fenomenologia PSI, pois ela poderia, mas não foi, bem considerada por Kardec.

    Está claro e notório que Kardec, em seu tempo, sabia de muitas coisas, mas também não fica claro que ele as considerava tão importantes pois não demonstrava metodologia apropriada de controle que as eliminasse nos resultados. Isso só veio a ocorrer anos mais tarde com as pesquisas dos ingleses e outros espiritas.

    Tenho certeza que Kardec não ficaria chateado com a singela proposta, nem mesmo se o contrariasse, afinal o espiritismo acima de tudo também é ciência, logo não pode ficar no campo dogmático. A Codificação não é uma Bíblia como muitos a defendem por idolatria, logo pode ser aprimorada e, inclusive, corrigida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grato por seu esclarecimento e agradeço por ter escrito aqui. Com relação a correção a codificação, concordo que esse será o caso, mas os corretores
      devem demonstrar um grau de comprometimento, seriedade e competência para fazer isso superiores a Kardec e de seus pares
      na época. Acho complicado tentar apagsar ou desconsiderar coisas que esses pioneiros fizeram com base em propostas que precisam
      ser largamente validadas ou verificadas. O problema são as generalizações apressadas.

      Excluir
    2. Olá Ademir, primeiramente obrigado pela oportunidade da “conversa" e, se me permitir (uma vez que este espaço refere-se a seu blog), eu gostaria de tecer um comentário.

      Com certeza os pesquisadores tem demonstrado bom comprometimento e seriedade, não é atoa que os livros de Alexandre Aksakof e Ernesto Bozzano, são praticamente “Tratados de Animismo”. Acho um tanto difícil que a opinião de quem os leu e compreendeu, não reconhecer isso.

      Por outro lado ainda, não interpreto que eles poderiam ter feito qualquer coisa “superior a Kardec ou a seus pares”, apenas deram andamento a um trabalho inacabado.

      [Nos outros comentários abaixo eu expus algumas respostas]

      Excluir
  5. 4) Em outro momento você comenta:

    "Devemos considerar que os médiuns da época de Kardec talvez não apresentassem suas mediunidades no mesmo grau dos de hoje. Assim como houve redução drástica nas manifestações de efeitos físicos, é provável que efeitos anímicos tenham prevalecido posteriormente, o que torna a questão ainda mais complexa."

    Não sei baseado em que você conclui que a mediunidade dos médiuns na época de Kardec eram diferentes das de hoje?

    Os fenômenos são os mesmos, a mediunidade é a mesma, o que mudou foram os rigores de controle para comprovação.

    As mesas girantes viraram tabu, assim como hoje os CEs preferem não fazer evocações pq o telefone deve "tocar de lá para cá".. O que me parece é que hoje, através dos meios de comunicação, temos acesso a verdadeiros médiuns e os que se acham médiuns ficam com seu trabalho em certas casas espiritas onde não se pode pedir o nome do espirito ou outra informação pois "não interessa". Não sei se é possível perceber que o que mudou foi a cultura e forma de agir e não a mediunidade em si.

    5) Em um momento do seu texto você sugere que eu dei a entender o seguinte:

    "O autor estima que, na comunicação, 50% vem do "pensamento" do Espírito comunicante e outros 50% do médium (p. 29)"

    Creio que falhei em explicar, talvez eu deveria ter sido mais claro, mas não foi essa a minha intenção. O valor referenciado seria que uma comunicação efetiva (de qualquer forma ou fonte) seja 100%, portanto se usarmos nós mesmos como referência, seria o mesmo que dizer que os 50% é o que eu penso em falar (minha ideia) e os outros 50% sejam a capacidade humana que eu vou fazer isso através da fala e/ou gestos.

    Nessa mesma lógica, quem estaria pensando no que ia falar seria o espirito, mas quem teria que executar (expor) seria o médium, afinal, uma parte pensa e a outra executa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com relação ao seu comentário: "Não sei baseado em que você conclui que a mediunidade dos médiuns na época de Kardec eram diferentes das de hoje?"

      Ela se baseia em extensos documentos históricos. Há um livro chamado "Espiritismo e as mesas girantes" editado pela FEB que traz relatos da imprensa da época demonstrando de forma categórica que a mediunidade estava na ordem do dia na época. Desprezar esses documentos e afirmar
      que a mediunidade hoje tem a mesma intensidade da do sec. XIX parece ser um problema. Acho que qq. um hoje em dia pode consultar documentos
      históricos online que demonstram a "invasão generalizada" (Conan Doyle) que tomou conta dos Estados Unidos e da Europa na segunda metade do sec. XIX. É isso que estou dizendo.

      Portanto, achar que a mediunidade hoje é a mesma (em grau e intensidade) me parece ser ingênuo e um problema na raiz do desenvolvimento das 'ciências psi', porque parte-se do princípio que o fenômeno mediunico é como um fenômeno natural qualquer e que, portanto, está sujeito a análises derivadas das ciências comuns, o que acho não ser o caso. Ao se insistir nesse ponto, a grande chance de se chegar a conclusões erradas.

      Excluir
    2. Espera ai Ademir, você está querendo dizer que, por ser algo “da moda” na época e de pouco interesse hj em dia, que a mediunidade da época era mais “intensa”?

      Isso não me parece verdade, até pq, se pegarmos todos os casos relatados e estudos vamos ver que a quantidade de médiuns testados era pouca, ou seja, poucos médiuns de fato se deixavam estudar ou colaboravam com isso.

      De qualquer forma, existem muitas explicações plausíveis que evidenciam o que eu disse.

      Outro fato que não podemos abandonar foram os inúmeros casos fraudulentos, onde médiuns fraudavam apenas para chamar a atenção da mídia, ja que era “moda” e o interesse era generalizado, fora os outros que ganhavam dinheiro com isso.

      Outro detalhe que não podemos omitir também foi o fato de diminuírem as manifestações do tipo de efeitos físicos pois a atual cultura não busca isso, alias, a atual cultura acaba nem buscando saber quem é o espirito, se ele existe mesmo ou é fruto da mente das pessoas. Como poderiam surgir efeitos fisicos se a atual cultura “abomina” o jogo do copo, por exemplo?

      Logo, você pode ver que, as coisas continuam existindo, e posso lhe garantir que temos hj tudo q tinhamos na época, mas muitos médiuns não gostam de aparecer, até pq a grande maioria dos médiuns que demonstram uma mediunidade igual a da época acabam sendo considerados (discriminados) como espiritualistas..

      Excluir
    3. Sandro, de novo, vc deve consultar as fontes históricas. Se houve médiuns fraudulentos, tb houve aqueles autênticos que foram impiedosamente perseguidos por céticos na época. Não me parece que hj temos um D. D. Home operando por ai, e olha que ele foi considerado fraudulento, mas era mesmo??. Veja sua explicação relativiza a força mediúnica do sec. XIX e se aproxima da dos céticos, é só vc acreditar que na verdades 'eles não eram tudo aqui que diziam', a 'maioria era fraude e pronto, a situação na época era igual a hj. Mas isso é seu ponto de vista. Obvio que vc é livre para acreditar nisso, mas não sei se é verdade. Veja, vc diz que 'nossa cultura não busca mais isso', será mesmo? E quando os fenômenos no sec. XIX surgiram, as pessoas estavam realmente buscando? Quando leio as descrições de assombrações, não me parece que as pessoas queiram ser assombradas, ao contrário, o fenômeno é espontâneo. Não há como negar uma redução drástica na espontaneidade dos fenômenos de efeitos físicos na nossa época, sob pena de se ter que adotar uma ideia errônea do passado. Pense nisso.

      Excluir
    4. Olá Ademir, creio que você não entendeu meu posicionamento (ou eu não fui feliz em explicá-lo). Eu não disse que eram fraudulentos mas sim que havia muita fraude. Naquela época, principalmente nas pesquisas inglesas e americanas, os médiuns ganhavam fama e notoriedade, assim como boa parte era remunerado para tal. Havia com certeza muito interesse, tanto que inúmeras revistas cientificas da época publicavam centenas de estudos.
      A grande diferença, em termos de relatos aparentemente com mediunidade mais poderosa, era que usavam médiuns que realmente demonstravam que possuiam poderes para tal. Neste caso os "falsos médiuns", como classifico no livro, nem tinham chances de aparecer.

      Hj em dia, esses falsos médiuns poluem os ambientes espiritas e daí, se você começar a comparar esse poder mediúnico de uma maioria de médiuns espiritas, vai realmente se surpreender, claro, tanto médium sem demonstrar mediunidade efetiva, ao compará-los com os médiuns do passado, vai dar a impressão de que o poder mediúnico ficou mais brando, quando o caso e'bem outro. Os CEs parecem fabrica de médiuns e se apenas os médiuns que mostrassem um poder adequado trabalhassem (qualidade e não quantidade), você teria q dar o braço a torcer para o que eu digo.

      Bom, mas são opiniões divergentes, as nossas. Apenas embaso a minha na atual percepção de que os atuais médiuns, em sua boa maioria, são falsos médiuns, ou seja, aqueles (sem intenção) acreditam que possuem poderes mediúnicos suficiente para atuar em casas espiritas...

      Excluir
  6. 6) Em outro momento você comenta sobre a impossibilidade de mensuração do pensamento:

    "Mediunidade (assim como a inteligência e a beleza) parece ser uma faculdade humana intrinsecamente imensurável"

    Bom, embora você tenha uma visão de fisico, mais detido a poder medir tudo com unidades de grandeza, vale lembrar que tais grandezas não passam de referenciais, assim como o oC que possui referência com o congelamento da água em determinadas condições e o oK que seria um "zero absoluto", algo similar pode ser tentado estimativamente, desde que hajam parâmetros.

    Vale lembrar que isso não foi uma invenção minha, a de estimar coisas subjetivas, essa tendência ja vem ocorrendo por anos e por diversos cientistas do campo das humanas, psicologia inclusive.

    PS. A problemática do teste de QI ainda é válida mas se sabe q se limita apenas a uma das varias inteligencias, propostas por Howard Gardner.

    Acrescento também que vários institutos de pesquisas psiquicas no mundo vem tendendo a elaborar critérios para os poderes psi, exatamente para evitar se trabalhar com paranormais sem as minimas condições de demonstrar efetividade no que produzem. A resposta para isso é bem simples, se usarem qualquer pessoa q se diga paranormal, vão perder tempo e vão negativar muitos dos resultados das pesquisas.

    Iniciativas como essas, de criar parâmetros e definir níveis, é que vem trazendo os verdadeiros resultados positivos nos últimos tempos, fazendo com que céticos passem a dar o braço a torcer e aceitar resultados, tanto quantitativos como qualitativos.

    7) O exemplo do rádio não me pareceu esclarecer muito, uma vez que a proposta do estudo não é testar o médium mas sim a mediunidade. Me parece que está claro no trabalho que a avaliação deve ser feita varias vezes pois o médium pode produzir algo bom em um determinado momento e ruim em outro, sendo assim incomparável com dois rádios e um com alto falante com defeito.

    Chico Xavier admitiu varias vezes que errava, logo não lhe tirava o status devido sua extensa obra psicografada.

    Me permita, mais uma vez, agradecer a oportunidade da critica e de resposta, pois assim faremos a ciência espirita andar e buscar o equilíbrio com os outros 2 "pilares" do espiritismo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sandro, o ponto que distingue a abordagem espírita das outras - sem querer desmerecer eventuais avanços desde a época de Kardec - é que o Espiritismo foi a unica abordagem que insiste na importância dos Espíritos como fontes fenomenológicas. Ora, Espíritos NÃO ESTÃO sob controle humano. Logo, ao se querer propor escalas para medir qq. coisa ligada à mediunidade, tome cuidado em não acreditar que ela seja uma propriedade unica e exclusivamente ligada ao médium. Em outras palavras, por mais poderoso que seja um médium, ele não produzirá nada se ele não tiver a presença e atuação dos Espíritos, que logicamente torna a aplicação da ideia de escala algo fraco para a mediunidade e
      todos esses assuntos. No caso da temperatura - que vc cita - ela não depende de nada 'externo', é algo intrínseco, um propriedade do sistema.

      Há vários textos de Kardec em que ele fala disso e penso que tais noções foram desprezadas pelos pesquisadores que vc cita. Então, para mim, está tudo certo em querer aprimorar ou modificar o que Kardec e outros espíritas fizeram, desde que se atente para as reais causas dos fenômenos. Do contrário, tudo se parecerá muito com um faz de conta, com propostas de medida que não poderão ser replicadas em parte alguma porque ignoram a componente 'irreplicável' do fenômeno. Dito isso, agradeço mais uma vez por seus comentários.

      Excluir
    2. Concordo com isso, temos a absoluta certeza de que o espiritismo pressupôs (e entende) que existam espiritos, então se focou no que se poderia aprender com eles. O que não podemos é partir de um pressuposto como você alega (Espíritos NÃO ESTÃO sob controle humano) e deixar de investigar e estudar, até pq esse pressuposto, no meu ver é um erro duplo:

      1 - Claro que espiritos não estão sob controle humano, no entanto há uma grande quantidade de experimentos onde espíritos foram evocados e convidados a ajudar (como se fazia no passado). Hj os melhores resultados evidenciando a sobrevivência vem de estudos assim, cito aqui a experiência de Schwartz [1]- com artigo na Revista Ciência Espirita - onde eles convidam dois espíritos a participar de um estudo onde tinham q, no momento da evocação, tentarem iluminar a câmera; e outro onde convidaram um espirito mestre de xadrez (falecido) para jogar uma partida com um mestre de xadrez vivo. Onde está a falta de controle?



      2 - O outro erro está na busca de estudo com espirito sob controle? Como? A maioria dos atuais estudos, inclusive meus, buscam controlar o ambiente do médium e não do espirito. Um ambiente bem controlado e um método adequado conseguem dar boas respostas para muitas das perguntas, retificando ou ratificando uma serie de conceitos básicos.

      Excluir
    3. Quanto a seu comentário:


      "tome cuidado em não acreditar que ela seja uma propriedade unica e exclusivamente ligada ao médium”


      Com certeza isso está embutido no livro e foi levado em consideração, esse foi o grande motivo pelo qual o índice não vai até 100 e sim 50, pois limite 50 se refere ao médium uma vez que não teríamos como saber (ainda) como agiria o espirito.


      Outro comentário seu:

      “Em outras palavras, por mais poderoso que seja um médium, ele não produzirá nada se ele não tiver a presença e atuação dos Espíritos, que logicamente torna a aplicação da ideia de escala algo fraco para a mediunidade e todos esses assuntos”


      Aqui vejo novamente mais um erro duplo:

      1- O primeiro refere-se exatamente aos pontos iniciais da conversa, ou seja, o animismo. Creio que não tenha lido as obras de Aksakof nem de Bozzano, caso contrario recomendo a releitura. O processo anímico é algo muito mais complexo do que a mera interferência (personismo), ele se confunde com a paranormalidade em muitos aspectos e, nesse tocante, é o ponto crucial para distinguir e demonstrar as linhas tênues entre PSI e mediunidade.

      2 - A aplicação da escala, como consta também no livro, enfatiza que não se pode medir algo por uma mera amostra, quanto mais melhor. Comenta inclusive que o próprio médium pode não estar num bom dia e isso com certeza depreciaria tal avaliação. Vou mais além, um espirito pode se manifestar e não dizer quase nada e isso, consequentemente, não geraria bons índices. Por esse motivo o nome é “nível estimado de mediunidade”. Vale lembrar que, os exemplos citados ilustram bem o panorama todo. São casos reais nos quais eu estive envolvido, não foram exemplos vagos ou teóricos.


      Ainda sobre a questão acima, voltando ao principio básico da tentativa de mensuração. Se não tivermos referenciais, como optar por grupo de médiuns para determinados experimentos? Você teria outra sugestão?


      Outra questão. O tempo todo parece que você tende a defender Kardec como se eu o tivesse desmerecendo, algo q eu não o fiz. Nesse momento me vem o seguinte pensamento:


      “As maçãs sempre caiam das árvores, todos sabiam, era algo percebido, no entanto devemos valorizar Isaac Newton, pq ele organizou toda uma estrutura baseada a partir dessa mera observação”


      Em outras palavras, é claro que Kardec sabia que havia algum tipo de interferência nos médiuns, o que não está claro é que ele, em toda a Codificação, organizou e limitou isso de forma adequada e clara, alias, não existem nem os originais das perguntas e respostas e anotações pessoais dele para que pudessem ser analisadas hj. Vale acrescentar também que, tanto Aksakof e Bozzano, envolveram a hipótese PSI junto ao animismo e isso faz toda a diferença para estudos avançados nesse campo.

      No mais agradeço pela oportunidade mais uma vez… abraços


      [1] Gary E. Schwartz - Photonic Measurement of Apparent Presence of Spirit - EXPLORE March/April 2011, Vol. 7, No. 2

      Excluir
    4. Sandro, por definição "mediunidade" necessariamente envolve a influência dos Espíritos. Se não há um Espírito externo exercendo influência, então é outra coisa. Vc pode chamar do que quiser, animismo, xamanismo etc. Então, é um problema de lógica, ligado ao significado dos termos, que se não tem Espírito, estuda-se outra coisa, mas não mediunidade. Parece ser obvio tb que, se para ser mediunidade tem que ter Espírito, a aplicação da ideia de medida é bastante prejudicada, acho até que inviável colocando-se as coisas dessa forma. Mas veja: coisa bem diferente é medir o resultado da mediunidade, o que ela produz. Pode-se, p. ex., criar uma escala de acuidade mediúnica, com base no que um médium, p. ex., um psicógrafo produz, mas isso para mim não é medir mediunidade, mas eu efeito. Acho que o problema é o mesmo com o da inteligência, pode-se até criar uma escala de inteligência, mas o que se mede no fundo são seus efeitos SEMPRE, porque inteligência, sendo um fenômeno cognitivo não está acessível em terceira pessoa. Acho que estou apenas sendo rigoroso aqui e não excessivamente crítico e a maior parte da fraqueza dessas abordagens quantitativas, se aplicadas à mediunidade, tb já são bem conhecidas com qq. fenômeno psicológico, afinal ela tb é um fenômeno psicológico.

      Excluir
    5. Vc fala em 'hipótese PSI', eu até hj não entendi o que isso significa e acho que não significa nada. É um termo criado para explicar um mistério e, como tal, permanece tudo muito nebuloso. Na verdade, entendo ser isso uma maneira que esses pesquisadores inventaram para não ter que aceitar diretamente a ideia de Espírito, vida após a morte etc. Eles falam muito em Psi como se isso fosse algo real, mas acho que não é, na verdade, é mesmo um 'termo quarda chuva' que envolve um monte de fenômenos anômalos, quase todos "explicados" invocando-se o mesmo termo.

      Excluir
    6. Então acho que vc tb deveria considerar uma 'escala de animismo', já que ele é tão importante. Como fazer isso eu não sei, mas talvez seja relevante para a exploração da fronteira entre mediunidade e animismo e, com certeza, algum conhecimento novo vai sair dai.

      Excluir
    7. Imagine que você você queira fazer um teste apenas com os 10% mais inteligentes para testar alguma teoria. Por mais que o QI não seja uma boa medida para a inteligência provavelmente você não terá muito como fugir dessa classificação.

      O Sandro deixa bem claro que o objetivo é tentar trazer objetividade para a amostragem de estudos que tratem de mediunidade para tentar diminuir o erro pelo uso dos muito pseudo médiuns que aparecem aos montes por aí.

      Excluir
    8. Ademir, tvz aqui você tenha colocado um detalhe crucial:

      "()...'hipótese PSI', eu até hj não entendi o que isso significa e acho que não significa nada..()"

      A hipótese PSI é muito forte em todos os sentidos e, atualmente, acredito q qualquer pesquisador espirita necessita compreende-la em toda a sua amplitude.

      Tvz esclarecendo alguns pontos, fique mais fácil chegarmos a um denominador comum, explicando mais a fundo o animismo inclusive.

      A hipótese PSI é forte e sustentável pois se embasa numa infinidade de experimentos onde não se pressupõe a existência de espiritos, alias, nem avalia isso inicialmente.

      Uma base, das mais simples, é demonstrada com experimentos de telepatia. Hj é bem evidente que os resultados estatísticos demonstram que os resultados dos experimentos telepaticos ficam acima da probabilidade causistica. Essa telepatia poderia ser do espirito? Sim, obviamente se somos espiritos encarnados, mesmo com influencia da matéria, teríamos (e somos) capazes de demonstrar essa possibilidade. Nessa parte então, a hipótese PSI, considerada um possível poder da mente/cerebro, fica atacada também pela hipótese espirita. Não chegam num consenso.

      Indo mais a fundo, assim como a telepatia, a clarividência ja foi bem demonstrada (embora rara), para ilustrar um caso, recomendo ver algo sobre Stefan Ossowiecki. Ele conseguia, sem ajuda de espiritos, prever passado, ver imagens em envelopes fechados etc.. Sem ajuda de espiritos.

      Bom, como assim sem ajuda de espiritos?

      Para os optantes da hipótese PSI isso é uma prova, mas para espiritas isso nada mais é do que uma coisa normal, afinal, ele não é um espirito? Claro que sim né e encarnado.

      Então, nesse caso, mais uma vez, as duas hipóteses se confrontam e se anulam, não se chegando a conclusão alguma até o momento.

      Então, nesses dois casos, temos uma objetiva demonstração de um estado anímico puro, ou seja, sem personismo, o médium pode captar algo vago que seja coerente e não necessariamente precisaria ser um espirito comunicante.

      Medir o animismo é algo mais difícil do que a própria mediunidade, afinal, ela estaria subordinada a uma mediunidade, por esse motivo é que o livro aborda um contexto mais evidente, por exemplo, o maior dos paranormais (PSI) jamais conseguiu dar nomes precisos (algo que consta na tabela) ou apelidos.

      Então, por lógica, quem fornece nomes preciso seria o espirito comunicante, pois somente ele poderia sabe-los com certeza, agora, por outro lado, saber que o fulano falecido tinha um irmão ou dois (sem nomes) poderia ser informação obtida através de telepatia ou clarividencia, uma vez que seria algo mais vago (não tem como saber se é ou não).

      Quando você diz: "vc tb deveria considerar uma 'escala de animismo', já que ele é tão importante"

      Tvz isso seja o reflexo oposto (ou de sobra) do que se produziu efetivamente, ou seja, se um médium teria um índice de 25%, é muito provavel que os outros 25% seriam anímicos ou, no mínimo, alguma influencia do fisico que bloqueou a informação (resistência).





      Excluir
    9. Vitor Machado, o problema é justamente este: vcs estão querendo tornar quantitativo algo que não é INERENTEMENTE.

      Toda a comunidade de psicologia sabe que as "variáveis" psicológicas não podem ser interpretadas como se fossem variáveis físicas.

      Uma variável física não é apenas um número: vc deve saber que a ela estão associados várias funções, p. ex., uma distribuição de probabilidade, desvio padrão, curtose etc.

      Se vc quer quantificar coisas psicológicas, não se esqueça que as mesmas considerações de ordem matemática terão que ser atribuídas a essas novas propostas de variáveis...

      E ai uma infinidade de problemas começam. O preço que se paga por tentar quantificar algo tão indescritível como a consciência e suas propriedades é ter uma abordagem que não mede nada.

      Vcs tem a impressão que estão medindo, mas não estão, são números espúrios, não representam de fato a "dinâmica interna do sistema" que se pretende estudar. E isso é fácil entender porque
      esse sistema está sujeito à influências incontroláveis ou pior, inacessíveis. Mesmo em física, apenas se considera a validade das medidas de um sistema, depois que se isolam ou separam ao máximo
      todos os fatores externos perturbativos, que contribuem para degenerar a medida. Mas isso só é possível se se conhecem muito bem esses fatores externos.

      Imaginando como isso se projetaria para dentro da consciência, temos um problema porque a dinâmica dela não é gerada por causas simples, é gerada provavelmente por um infinidade de causas, ou talvez, por causas que ela mesma escolha, vistas externamente como algo aleatório.

      Excluir
    10. Mas como se caracterizam variáveis estocásticas? Pela repetição exaustiva do experimento. O que se espera se se repetir exaustivamente um experimento de mediunidade? Existem condições de se reproduzir EXATAMENTE todas as condições de um 'medida mediúnica', de forma a se caracterizar sua distribuição? No meu entender isso não é possível.

      Excluir
    11. Na verdade, as tentativas de quantificar coisas psicológicas, seguem uma abordagem que tem sua origem no positivismo, já que essa doutrina filosófica apenas
      considerava como existindo de fato aquilo que pudesse ser detectado e medido. Então, existem várias críticas de natureza epistemológica que podem ser feitas a essa visão quantitativa com esses assuntos e penso
      que seria importante a vcs também conhecê-las todas pois ela já existem faz algum tempo na área de psicologia e podem, 'mutatis mutandis' serem transferidas para tentativas de se medir mediunidade.

      Excluir
    12. Sandro: Psi como 'poder do cérebro/mente' não me parece bom, porque vc precisa definir antes os conceitos mais primitivos: para mim, cérebro não é a mesma coisa que 'mente', que não eh a mesma coisa que 'consciência', que não é a mesma coisa que 'Espírito' (com 'E' maiúsculo). Mas, em muitas discussões, existe uma confusão enorme,
      usam esses termos em sentido diferente, as vezes, num mesmo texto. O problema
      dessas descrições é que vc tenta explicar uma coisa na linguagem de outra 'teoria' ou abordagem. Não dá para ficar misturando
      a linguagem de Kardec com teosofia, com parapsicologia, com psicobiofísica, física quântica ou sei lá o que...

      Enquanto não tivermos uma abordagem rigorosa nos conceitos, que se mostre heuristicamente fértil, estamos apenas manipulando palavras e isso é o que entendo do problema de psi. Para Kardec, o que seria 'psi'? Seria um termo 'guarda-chuva' que aparece de forma empírica por conta de várias propriedades do espírito encarnado, a expansibilidade de seu perispírito, a presença de fluidos 'espirituais', a conformação orgânica de seu corpo que permite interagir com esses fluidos (muitos deles impregnados a objetos), a manifestação de capacidades do Espírito em interação com seu corpo etc. Em suma, será mesmo que o Espiritismo não dispõe de arsenal teórico para explicar psi? Não podemos achar que a incapacidade de muitos espíritas em desenvolver a Doutrina nesse sentido seja prova de que o Espiritismo seja falho nisso...Penso que
      é justamente o contrário, e creio fortemente que muitos dos trabalhos feitos sobre o animismo mais comprovam o que Kardec descobriu, mas estão envolvidos em linguajar tão diferente, tão distante dos termos espíritas, que supostamente parecem estar fora da alçada do
      Espiritismo. Eh objetivo meu neste blog mostrar que isso não é bem assim.

      Excluir
    13. Olá Ademir,

      Acho que continuaremos com opiniões divergentes. Depois de ler seus argumentos não consigo adequar isso ao atual contexto cientifico, e isso inclui trabalhos em varias universidades.

      Quando você se refere:

      "Toda a comunidade de psicologia sabe que as "variáveis" psicológicas não podem ser interpretadas como se fossem variáveis físicas."

      Embora eu ja tenha comentado anteriormente, o que me parece que você ainda não entendeu. Essa sua afirmativa está equivocada.

      A Universidade do Arizona possui método próprio para quantificar médiuns, afim de evitar que qualquer pessoa dita médium participe de experimentos e os invalidem. Recomendo você se aprofundar mais sobre esse tema, para lhe ajudar, sugiro os seguintes sites:

      http://lach.web.arizona.edu/veritas_research_program/
      http://www.windbridge.org

      Em outro momento de sua critica (recente), parece que você saiu do foco. A formulação não pretende avaliar algo subjetivo, pelo contrário, a tabela engloba pontos objetivos, tais como nomes. Um nome é ou não é condizente, portanto não se trata de nome parecido ou algo assim. Essa objetividade (assim como outros institutos utilizam de algo similar) simplesmente foi pontuada. Um médium, por exemplo, que não seja capaz de citar um nome condizente ou algum fato coerente, em sua opinião, poderia ser convidado para pesquisas mediúnicas?

      Sobre seus comentários a respeito do que comentei (hipótese PSI)

      Obviamente o espaço e tempo aqui não são adequados para nos aprofundarmos nessa questão.
      Usei tal termo pois até hj a ciência não consegue resolver o "hard Problem", então não estou me detendo a fonte em si, mas aos fenômenos.

      Outros comentários:
      "Não dá para ficar misturando a linguagem de Kardec com teosofia, com parapsicologia, com psicobiofísica, física quântica ou sei lá o que..."

      Caro Ademir, hj um pesquisador espirita que desconheça essas outras abordagens, não é um pesquisador espirita, mas sim possui um perfil dogmático.

      Se Kardec não considerou a hipótese PSI, infelizmente foi pq ele não a dominava no referido tempo. Reitero que não é possível considerar um bom nível de pesquisa espirita sem tais conhecimentos.

      Excluir
    14. Sandro, vc é um entusiasta desses métodos. Vc não entendeu que, só porque uma universidade lá fora faz isso ou aquilo, então isso não significa que isso deva obrigatoriamente ser seguido, tenha status de verdade ou seja algo obrigatório (no caso, os que eventualmente não seguirem essa moda estão condenados ao atraso...). Mas vc não está só. Eu vejo muita gente criticando o ME com base nesse suposto critério de excelência. São na maioria pessoas que se desgostaram com algum espírita mau - cuja presença é garantida em qualquer população humana. Por outro lado, eu conheço o ambiente universitário, o que significa que sei dos sucessos e dos fracassos (as vezes retumbantes) que ele tem. Só porque um paper foi publicado isso não significa que ele seja isento de erros. Alias vc deve conhecer as críticas disso, elas já são bem conhecidas:

      https://en.wikipedia.org/wiki/Replication_crisis
      http://www.economist.com/news/briefing/21588057-scientists-think-science-self-correcting-alarming-degree-it-not-trouble

      "Um médium que não seja capaz de citar um nome condizente": ora, em que momento isso acontece? Sempre? Será mesmo que só porque um médium não consiga passar em um teste 'controlado' de uma universidade então ele é incapaz disso para o resto da vida? Sua mediunidade não poderia eclodir posteriormente? É isso que gostaria que vc e seus colegas entendessem... Já discutimos aqui a exaustão que o fenômeno é incontrolável porque depende de fontes incontroláveis (os Espíritos). Então, não seria possível que um médium apresentasse tais falhas no teste mas, em determinados momentos mais 'especiais', não?

      É óbvio que seria super legal que um teste simples pudesse descartar um aspirante a médium. Seria algo incrível, bastava rodar a manivela e teríamos um screening de todos os potenciais 'figurões mediunicos' sem se preocupar com eventuais impostores. Só que essa visão implica que esses testes sejam 100% INFALÍVEIS, o que eles não são pelos motivos que já expliquei acima. OU seja, a crença no teste depende de pressuposições que não levam em consideração os reais fatores e partem da hipótese de que se trata de um fenômeno físico qualquer.

      Com relação a PSI minha opinião está dada acima. É vc que está dando os critérios para uma pessoa ser considerada 'pesquisador espírita'. Acho que se pode ser sim, conhecer essas abordagens sim, sem se UTILIZAR tais abordagens como se fossem garantidamente válidas porque elas não são.

      Excluir
    15. É comum hj em dia acusar de dogmatismo alguém que não compartilhe das mesmas opiniões. Se ser rigoroso no significado de termos e conceitos é ser dogmático, então acho que sou sim. Entendo isso como uma das principais bases da ciência bem feita, que ela defina seus termos de forma clara e sem ambiguidades. Mas entendo que vc não compartilhe da mesma opinião.

      Excluir
    16. Olá Ademir, compreendi sua posição, mesmo discordando da mesma.

      Como percebeu o intuito do livro não é medir um médium por medir, mas sim verificar e qualificar uma mediunidade para possível estudo ou pesquisa.

      Claro que não será uma única análise que irá dar um nível confiável, como o artigo (livro) diz, recomenda-se varias e mesmo assim a análise e estimativa.

      Eu apenas gostaria de entender, caso você fosse um pesquisador espirita, quais seriam seus critérios para analisar um médium de psicografia?

      Você partiria de qual pressuposto para fazer um estudo?

      Excluir
    17. Em primeiro lugar, vc não precisa analisar o médium ou a mediunidade, mas o que ele produz.

      No meu entender, o que dá para analisar é o par médium-espírito comunicante e não o médium de forma isolada. Escolhendo-se convenientemente a psicografia como processo chave, acho que partiria para analisar o conteúdo das mensagens e observar padrões, mais ou menos invariáveis (porque o que não muda é relacionado ao médium, certo?) em sua produção. O que não fosse invariável provavelmente tem grande chance de estar associado à personalidade desencarnada (no caso validado por informação externa e desconhecida do médium) ou ao conteúdo anímico. Mas note que o conteudo anímico, provavelmente também exibiria padrões repetidos conforme o médium, dai importância de uma análise exaustiva (em grande
      quantidade) de mensagens.

      Com base nessa análise de conteúdo, seria possível estabelecer medidas - veja estou 'medindo' a mensagem, seu conteúdo, algo que é tangível, palpável e não o médium ou
      o que seria equivalente a sua "consciencia mediunica" inacessível, com
      as quais, depois de muitas análises, seria possível se inferir mais detalhes sobre o processo mediunico.

      Não me interessaria em saber detalhes desse ou daquele médium em particular, mas em gerar conhecimento justamente naquilo que ainda é nebuloso com relação à mediunidade. A partir disso acho que seria possível avançar. Seria uma abordagem empírica sim, porque se trata de um fenômeno psicológico, mas pelo menos associando medidas ao conteúdo da mensagem eu posso evitar a crítica que eu mesmo fiz e que vc pode ler acima.

      Excluir
    18. Ademir, agora não sei se vc leu o livro de uma forma adequada... O Q eu propus é algo exatamente como vc diz.. Eu não proponho se analisar o Medium mas sim o Q ele produz (o conteúdo das cartas), ou seja, a mediunidade.. Tanto que o nome do livro é Mediunidade Mensurável e não "Medium medido".

      Tudo Q vc propôs ocorre na tabulação, claro Q o fiz de forma detalhava, gerando pontuações para o nível de cada acerto. No fim eu coloquei vários exemplos. Onde um Medium foi analisado?

      O Q a "graduação" pontua é a mediunidade e partir daí é que se selecionaria um Medium ou outro para participar de uma pesquisa.

      Depois de ler várias coisas Q vc postou sobre o animismo, me parece que vc ainda permanece num entendimento espirita que este seria apenas uma de suas partes, ou seja, o personismo. Posso assegurar a vc Q vai muito além disso.. Recomendo uma leitura atenta do livro "Animismo ou espiritismo", de Ernesto Bozzano. O livro é uma excelente análise teórica mas atua fortemente a favor do espiritismo, alegando que graças ao animismo (Q inclui a paranormalidade) é Q se pode comprovar Q o espiritismo está correto.

      Excluir
    19. Oi Sandro, acho que eu tenho o livro de Bozzano. De qq. forma, vou voltar a estudá-lo. Grato por suas considerações.

      Excluir
  7. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir